sexta-feira, 1 de julho de 2011

PORTUGAL, QUO VADIS?




Paulo M. A. Martins (*)
(Em Portugal)
_______________________
paulo.m.a.martins@gmail.com


Infelizmente, assistem-me sérias reservas quanto ao actual Primeiro-ministro, Dr. Pedro Passos Coelho, e o seu Governo, assim como ao universo de "espectadores de bancada" que por aí persistem em proliferar.

Mudam-se os tempos, viram-se as casacas.

Freneticamente, colocam-se em bicos de pés e todos batem palmas, como se, de facto, as primeiras decisões fossem tão "brilhantes" como aparentam ser e fazer crer!...

Sem honra e sem glória, após as eleições legislativas, José Sócrates, a título de ir "estudar" Filosofia para Paris, já zarpou ou vai zarpar para um qualquer paraíso dourado algures em qualquer país da Europa, deixando-nos ainda bem viva e sofrida a triste memória dos seus incompetentes, miseráveis e graves desmandos governativos que praticou, que conduziram Portugal ao seu actual estado caótico de penúria política, económica, social e cultural, o que originou, entre outras, a intervenção do FMI e da sua "troika"...

Só a título de exemplo, Pedro Passos Coelho e a sua comitiva, há dias, voaram até Bruxelas, utilizando a "classe turística", para ver antecipados os subsídios da União Europeia, enquanto outros, no passado, ainda bem presente, requisitavam aviões à Força Aérea Portuguesa que, depois, ficavam e estão ainda estacionados (imobilizados) nas pistas dos aeroportos militares e nos hangares por falta de pagamento dos serviços prestados (o Estado deve ao Estado) e a consequente falta de acessórios, manutenção e não só...

Com esta atitude, o actual Primeiro-ministro acaba de revelar um fraco sentido sobre a "dignidade do Estado", enveredando pelos caminhos mais sinuosos do "populismo barato", para impressionar, talvez, mais os insectos do que as pessoas.

Enquanto tudo isto e não só, a frota de automóveis afecta aos Governantes continua a crescer, cada vez mais, pela aquisição desmesurada de "viaturas" topo de gama, assim como já se anuncia o Programa do XIX Governo Constitucional a ser discutido para aprovação pela Assembleia da República.

Anunciam-se, assim, entre outros, o aumento de determinados impostos, nomeadamente o IVA já em Julho próximo e, ainda no corrente ano, sobre o que excede o salário mínimo nacional, o corte de 50%, nos subsídios de Natal...

Quanto ao aumento em espiral do desemprego e da pobreza, sempre em número crescente, nem vale a pena falar, que, a partir de agora, vai aumentar exponencialmente, assim como de empresas a encerrarem a sua actividade.

Neste contexto, é, também, o caso das denominadas rescisões amigáveis na Função Pública e não só. Injecta-se "dinheiro novo" nos mercados que depois acaba por se "evaporar", através de um brutal aumento de consumismo, onde passa a proliferar o esbanjamento de recursos pelas famílias, que inevitavelmente conduz ao empobrecimento.

Por outro lado, é, também, a libertação de postos de trabalho para, depois, noutra fase, tudo leva a crer, serão preenchidos, total ou parcialmente, pelas novas "clientelas", sobretudo as partidárias, onde, em cujos Organismos e Empresas, os antigos titulares vão permanecendo sob o regime de "Recibo Verde" auferindo, por vezes, valores superiores, o que concorre para uma diminuição fictícia do desemprego, que continua a crescer desmesuradamente...

Tudo "bons" rapazes e rapazinhos...

Será que já não existe ninguém capaz de repensar Portugal e de fazer um planeamento adequado às verdadeiras e trágicas realidades em que o País se encontra mergulhado?

Ou, será que nos tornámos um país de alienados e de embriagados pela cegueira imposta pelos "aprendizes" da política, que, durante mais de três décadas, fizeram de Portugal um verdadeiro laboratório de experiências, cujo objectivo é, mais do que nunca, "governarem-se" enquanto é tempo, assumindo a atitude de "os cães ladram enquanto a caravana passa"...

Mais parecendo uma manta de farrapos, Portugal cai a um ritmo vertiginoso, mas, ao que parece, ninguém está atenta e só falta bater as palmas na hora da sua derrocada final...

Mas, quanto aos autores desta situação, com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, a olhar para o lado e a enviar "recadinhos", através das suas intervenções públicas, nem se ousa falar neles e ou chamá-los à responsabilidade, civil e criminal.

É, a título de exemplo, o caso, sistemático, do apagamento dos ficheiros informáticos (delete), ao nível dos gabinetes cessantes, sempre que mudam os governos e não só, o que provoca uma descontinuidade de informação, muitas vezes de difícil ou impossível recuperação, causando graves transtornos e prejuízos à gestão corrente dos negócios de Estado, assim como aos seus utentes...

Neste quadro, não pense o Primeiro-ministro que tem uma maioria confortável na Assembleia da República, pois, logo no início dos seus trabalhos, o PSD - Partido Social Democrata e a maioria que o apoia, o CDS, não foram suficientemente convincentes em fazer eleger o Presidente da Assembleia da República, obrigando a uma segunda escolha, que, no meu entendimento, quanto à personalidade escolhida e eleita, foi correcta e acertada.

Quanto à futura interacção da coligação, Deus se encarregará de revelar a sua verdadeira estratégia e trajectória...

Enquanto isto, mantém-se activo, ao rubro, o quadro político, económico e social da Grécia, onde não se sabe como tudo irá terminar, enquanto a UE - União Europeia se tem revelado abstracta, inactiva e impotente, em fuga para a frente, face à evolução dos acontecimentos...

Em Bruxelas, Durão Barroso, seu actual presidente, vai preconizando, em surdina, através de "recados", o aumento dos impostos comunitários, como se fosse essa a verdadeira causa do estado a que chegou a Europa comunitária.

Haja, isso sim, a coragem de reconhecer e, como tal, tomar as devidas providências, da necessidade, urgentíssima, de se repensar a União Europeia, hoje, transformada num "saco de gatos" e desenraizada do verdadeiro espírito de Jean Monnet, onde, apesar da forte crise financeira que fez estremecer o Mundo inteiro, particularmente a Europa, os países ricos estão, cada vez mais, mais ricos e os pobres mais pobres, exercendo, directa ou indirectamente, a hegemonia de uns sobre os outros...

A Europa, quer se queira quer não, está a atravessar uma crise profunda, inclusive, a partir da sua própria matriz, cuja identidade, ao longo dos tempos, tem vindo a ser fortemente desvirtuada.

Agora, em Portugal, após a tomada de posse e entrada em funções do novo Executivo governamental, está em curso um "período de graça", mas, pelo andar da carroça, segundo nos revela o Programa do XIX Governo Constitucional, já se começa a vislumbrar um longo período de tormentos, desgraças e pesadelos, sobretudo, para as famílias que são sempre as mais penalizadas e pagam a factura, sempre crescente, do Estado.

Vamos continuar a aguardar por mais surpresas!...

Para infelicidade nossa, coisas boas não virão, certamente, e as que vierem só tenderão para agravar ainda mais os actuais quadros político, económico, social e cultural.

Será que o tecido social português vai conseguir resistir, ainda, a mais esta investida do novo governo?

Infelizmente, tal como escrevi, no passado, nos governos de José Sócrates, neste "período de graça", as minhas dúvidas são severamente reservadas, mas, para bem de Portugal e tranquilidade e bem-estar dos meus compatriotas, bem gostaria de estar errado...

Mas, apesar de tudo, com um pouco de muito boa vontade, aqui deixo o meu benefício da dúvida...

Lisboa (Portugal), dia 1º. de Julho de 2011


Paulo M. A. Martins
(Em Portugal)

________________________________________

(*) Jornalista luso-brasileiro,
radicado no Brasil, em Fortaleza, Ceará.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL! PRÓSPERO ANO NOVO! BOAS FESTAS!








Salvé Natal 2008!
Salvé Novo Ano de 2009!

Tempo de Natal, tempo da Família, assinala a aproximação do final de mais um ano, nesta caminhada da Vida, onde o tempo, no seu movimento constante e imparável, se afirma de Paz, de Amor, de Alegria e de Solidariedade!

Glória a Deus nas alturas e Paz na terra aos Homens de boa vontade !

Neste final de 2008, aqui vos deixo os meus votos de um Santo e Feliz Natal repleto das maiores bênçãos de Deus !

Que o Novo Ano de 2009 seja de muitas Prosperidades, e, sobretudo, vos proporcione tudo o que de melhor podereis desejar !

Que, no Novo Ano de 2009, a Paz, o Amor, a Saúde, a Alegria , o Sucesso e a Felicidade sejam as constantes das vossas vidas, e pleno de realizações, quer no plano familiar, pessoal e ou profissional .

São os meus mais ardentes e sinceros votos, extensivos, também, aos vossos entes mais queridos !

Feliz e Santo Natal !
Próspero Ano Novo de 2009 !

*****
Paulo M. A. Martins

Jornalista Luso-brasileiro
Fortaleza (CE)
Brasil

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

SE PARA UM DOCENTE É DEMOLIDOR, PARA PORTUGAL É UMA VERGONHA!...




Senhor Primeiro-Ministro,
Senhora Ministra da Educação,



Queiram fazer o favor de ler, reflectir e pasmarem sobre a vossa "tão brilhante quanto inteligente e competente OBRA"!...

Tanto um magnífico hino de louvor à vossa política de Educação e Ensino, quanto um ataque cerrado e feroz à inteligência dos Portugueses!...

As gerações vindouras vos laudarão pelos vossos feitos!...

De "vendedores de ilusões" num Portugal à beira-mar plantado, na cauda da Europa!...

De coveiros da Educação e do Ensino em Portugal...

E para que saibam e, de uma vez por todas, não se esqueçam...

Portugal não é a "Rosalândia"!


É verde-rubro!


___________________________


_______________________________________


Como devem imaginar, diariamente, chegam-me alguns e-mails dando conta do que, no quotidiano, se vai passando em Portugal...Cada vez mais, de mal a pior!...

Ao acabar de ler o texto que, abaixo, passo a transcrever, devo confessar que me sinto o ser mais ínfimo e impotente para poder reagir e, muito menos, comentar...

Mais do que reagir, começo a sentir vergonha por ser "Português" e ter a incompetência generalizada e instalada de um Primeiro-Ministro e de uma Ministra da Educação, respectivamente, à frente dos destinos do Governo de Portugal e da Educação da Nação Portuguesa!

Quer um quer a outra, já que não têm a coragem de se demitirem (pois, devem estar amarrados de pés e mãos ao "tacho"...), pois que, ao menos, tinjam os respectivos rostos de negro pela vergonha que deveriam sentir!

Mas, como diz o ditado, "quem não tem vergonha todo o mundo é seu", só espero, creio firmemente, porque Deus não dorme, que possam vir a ter um fim revestido de tanta HUMANIDADE e DIGNIDADE como a que proporcionam aos Portugueses e, em particular, aos Professores e Alunos!...

De facto, parece ser mais fácil e lucrativo andar por Portugal, de terra em terra, de escola em escola, travestido de vendedor ambulante, a promover e a vender o "Magalhães", do que proporcionar uma boa estrutura educativa e excelência de qualidade de ensino aos nossos Jovens!

De resto, podem ficar tranquilos porque o "Magalhães", por muitas voltas que lhe queiram dar, não vos vai, nem de longe nem de perto, resolver os graves problemas com que se confronta e debate a Educação e o Ensino em Portugal, mas que deve ser um bom negócio para alguém, não restam dúvidas!...

Pelo menos, a nível da Comunicação Social, já começa a aparecer algum fumo, cujo processo mercantil se reveste de alguma suspeição e gravidade...

Para vossa vergonha maior e poderem melhor avaliar a vossa incompetência e falta de humanismo, ponham os olhos, se é que ainda os têm, nesse grito de alma e de desespero de um entre outros milhares de professores portugueses...

O texto que vos faculto para leitura e reflexão séria, Senhor Primeiro-Ministro e Senhora Ministra da Educação, é, respectivamente, o espelho fiel e mais completo do (Des)Governo e da Educação e Ensino em Portugal...

Nem mais, nem menos!

O somatório da vossa incompetência!...

Só espero que o Senhor Presidente da República, Professor Aníbal Cavaco Silva, desperte para o Estado da Nação, particularmente nos domínios da Educação e do Ensino, e assuma as decisões que, desde há muito, se justificam e vêm sendo sucessivamente reclamadas!...

Porque, ser-se mais incompetente, É IMPOSSÍVEL!

Paulo M. A. Martins


___________________________________


PEDIDO DE PERDÃO!

Um grito de alma e de desespero de um Professor Português...



Aos meus Alunos,
aos Pais dos meus alunos,
aos Professores
e a todos os meus Concidadãos


Tenho cinquenta e tal anos de idade, trinta e muitos dos quais como docente no ensino secundário e no ensino superior.

Fiz a Licenciatura com 16 valores, o Estágio Pedagógico com 18 e um mestrado em Ciências da Educação com Muito Bom.

Dediquei a minha vida à Escola Pública. Fui Presidente do Conselho Executivo (dois mandatos), orientador de estágio pedagógico (3 anos), delegado de grupo / coordenador de departamento (dois mandatos), Presidente do Conselho Pedagógico (um mandato) e director de turma durante vários anos.

Nos últimos tempos leccionei no ensino superior, com ligação permanente à formação de professores. Desempenhei vários cargos pedagógicos, participei em múltiplos projectos e desenvolvi dois trabalhos de elevado valor científico.

Entretanto, regressei ao ensino secundário e à minha escola de origem.

Alguns dos antigos colegas, embora mais novos do que eu e com menos tempo de serviço (compraram o tempo, explicaram-me depois) já se tinham reformado. Eu também já tinha idade, mas faltavam-me alguns meses para o tempo necessário quando mudaram as regras do jogo. E como se não bastasse a alteração dessas regras, é aprovado, entretanto, um novo estatuto para a carreira docente. E logo de seguida é aberto o concurso para professores titulares. Um concurso para uma nova categoria onde eu não tinha lugar!

Não reunia condições. Mesmo com um Mestrado em Ciências da Educação e sem ter dado uma única falta nos últimos sete anos, o meu curriculum valia, apenas, 93 pontos! Faltavam 2 pontos para o mínimo exigido a quem estivesse no 10º escalão.

Com as novas regras, o meu departamento passou a ser coordenado, a partir do presente ano lectivo, por um professor titular. Um professor que está posicionado no 8º escalão. Tem menos 15 anos de serviço do que eu. Foi meu aluno no ensino secundário e, mais tarde, meu estagiário. Fez um bacharelato com média de 10 valores e no estágio pedagógico obteve a classificação de 11 valores. Recentemente concluiu a licenciatura num estabelecimento de ensino privado, desconhecendo a classificação obtida. É um professor que nunca exerceu qualquer cargo pedagógico, à excepção de director de turma. Nos últimos sete anos deu 84 faltas, algumas das quais para fazer 15 dias de férias na República Dominicana (o atestado médico que utilizou está arquivado na secretaria da escola, enquanto os bilhetes do avião e a factura do hotel constam de um outro processo localizável). O seu curriculum vale 84 pontos, menos 9 pontos do que o meu. Contudo, este docente foi nomeado professor titular.

De acordo com o Senhor Primeiro Ministro e demais membros do seu Governo, com o apoio do Senhor Presidente da República e, agora, com o apoio dos dirigentes sindicais, este professor está em melhores condições do que eu para integrar ' (...) um corpo de docentes altamente qualificado, com mais experiência, mais formação e mais autoridade, que assegure em permanência as funções de organização das escolas para a promoção do sucesso educativo, a prevenção do abandono escolar e a melhoria da qualidade das aprendizagens.'

A conclusão, embora absurda, é clara: se eu estivesse apenas no 9º escalão, e com os mesmos pontos, seria considerado um docente altamente qualificado, com mais experiência, mais formação e mais autoridade. Como estou no 10º escalão, e não atingindo os 95 pontos, eu já não sou nada.

Isto é o resultado de uma selecção feita com base na '(...) aplicação de uma grelha de critérios objectivos, observáveis e quantificáveis, com ponderações que permitam distinguir as experiências profissionais mais relevantes (...)[onde se procurou] reduzir ao mínimo as margens de subjectividade e de discricionariedade na apreciação do currículo dos candidatos, reafirmando-se o objectivo de valorizar e dar prioridade na classificação aos professores que têm dado provas de maior disponibilidade para assumir funções de responsabilidade.' É assim que 'reza' o DL 200/2007, de 22 de Maio.

Admirável!

Agora consta por aí (e por aqui) que aquele professor (coordenador do meu departamento) me irá avaliar...

Não, isso não será verdade. Esse professor irá, provavelmente, fazer de conta que avalia, porque só pode avaliar quem sabe, quem for mais competente do que aquele que se pretende avaliar.

O título de 'titular' não é, só por si, suficiente. Mesmo que isto seja só para fazer de conta...

Conhecidos que são os meus interesses, passo ao principal objectivo desta carta, que é, simplesmente, pedir perdão!

Pedir perdão, em primeiro lugar, aos meus alunos. Pedir perdão a todos os Pais dos meus alunos. Pedir perdão porque estou de professor, mas sem me sentir professor. Tal como milhares de colegas, humilhados e desencorajados, sinto-me transformado num funcionário inútil, à espera da aposentação.

Ninguém consegue ser bom professor sem um mínimo de dignidade. Ninguém consegue ser bom professor sem um mínimo de paixão.

As minhas aulas eram, outrora, coloridas, vivas e muito participadas. Com acetatos, diaporamas, vídeos, powerpoint, etc. Hoje é, apenas, o giz e o quadro. Só a preto e branco, com alguns cinzentos à mistura.

Sinto-me desmotivado, incapaz de me empenhar e de estimular. Receio vir a odiar a sala de aulas e a própria escola. Receio começar a faltar para imitar o professor titular e coordenador do meu departamento (só não irei passar férias para a República Dominicana porque tenho outras prioridades...). Receio que os professores deste País comecem a fingir que ensinam e a fingir que avaliam. Sim, porque neste país já tudo me parece a fingir.

Cumprimentos.

(Um professor anónimo e humilhado, tal como milhares de outros professores)

_________________________

Paulo M. A. Martins
Jornalista Luso-Brasileiro
radicado em Fortaleza (CE)
Brasil
_________________________

"Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce."
Fernando Pessoa

quinta-feira, 31 de julho de 2008

CARTA ABERTA AOS BANCÁRIOS PORTUGUESES




SAMS – Serviços de Assistência Médica e Social

do SBSI - Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas


* * * * *



NA HORA DA VERDADE OU A DERROCADA DE UM SONHO?


* * * * *



Os factos recentes...


Os trabalhadores bancários foram surpreendidos com as notícias tornadas públicas sobre a possível alienação de 51% do capital social, numa parceria com a HPP – Hospitais Privados Portugueses, empresa do Grupo CGD - Caixa Geral de Depósitos, envolvendo a cedência do Hospital dos Bancários, aos Olivais, o Centro Clínico da Rua Fialho de Almeida, os Postos Médicos periféricos da região da Grande Lisboa e a gestão dos SAMS – Serviços de Assistência Médica e Social, promovida pelo SBSI – Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, em que perde a posição maioritária e passará a deter apenas 49%.

Depois da sua abordagem no último Conselho Geral do SBSI, para além da carta difundida, de iniciativa da Direcção do SBSI, posteriormente, junto dos bancários, seguiram-se as notícias veiculadas pelo semanário SOL e o diário “Correio da Manhã”, no passado sábado e domingo, respectivamente, de todo um processo que visa a alienação do capital social que, sob o máximo sigilo e à margem de todos os Órgãos Sociais do SBSI, já decorria há mais de seis meses...

Ao que nos é referido, trata-se de um processo de conversações exploratórias, já com carta de intenções da HPP, visando a constituição de uma parceria, envolvendo a alienação do capital social, nas quais têm tido intervenção, única e exclusivamente, apenas os socialistas, Delmiro Carreira, presidente da Direcção do SBSI, Dr. Rui Mendes Riso, presidente da Direcção dos SAMS, Maldonado Gonelha, presidente da HPP, e Santos Ferreira, ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos.

Recentemente, o presidente da Direcção do SBSI, Delmiro Carreira, para fundamentar esta iniciativa sigilosa, invocou a existência de eventuais constrangimentos financeiros e a forte concorrência dos Sindicatos, sem, contudo, fazer a mínima referência à dívida do Estado aos SAMS, cujo montante, segundo nos é revelado, se aproxima dos 46 milhões de euros, o que, na realidade, se traduz, objectivamente, na existência de problemas de tesouraria, porque o Governo não honrou os compromissos assumidos para com a Instituição…


Do espírito de missão…


Hoje, olhando para trás e descortinando o percurso dos SAMS, importa ter presente que, ao longo de mais de três décadas, deparamos com altos e baixos induzidos pela excessiva carga político-sindical, endógena e exógena, que sempre esteve presente e característica primeira do período político. Nomeadamente, quando a gestão era assegurada por tendências sindicais em coligação, em que, na primeira oportunidade, uma tentava anular a outra… E o recurso sistemático aos boatos vazados para o seio dos trabalhadores bancários era tendencioso e redutor…

Nem sempre as tendências sindicais, representadas no Conselho Geral do SBSI, estiveram à altura das suas responsabilidades. E muitos dos conselheiros das tendências sindicais “esqueceram-se”, porque estrategicamente lhes convinha, que a prestação dos cuidados de saúde e assistência social ao universo dos bancários, não é compatível com as estratégias de tomada e ou de manutenção do poder sindical, muito menos para o fortalecimento da unidade que os deveria caracterizar em torno dos objectivos dos SAMS.

A tal ponto que, os problemas e a instabilidade decorrentes da actividade sindical se reflectiam directamente nos SAMS, assim como os problemas dos próprios SAMS tinham repercussões na actividade sindical.

A eterna incapacidade e dificuldade de separação das águas…

Por outro lado, também os Conselhos de Gerência em exercício, nem sempre estiveram à altura das suas verdadeiras responsabilidades de gestão e confundiram-nas com objectivos meramente de promoção pessoal e ou político-partidários, tendo os SAMS, com prejuízo próprio, servido de bandeira na luta político-sindical.

Mas, como se estas situações ainda não fossem suficientes, há registar ainda as clivagens provocadas por trabalhadores dos SAMS, mais activistas, que, em acções concertadas, ajudaram a “envenenar” relações institucionais e a “boicotar” sistematicamente, numa perspectiva político-partidária, o normal funcionamento da Instituição, transferindo, dessa forma, o ónus dos problemas decorrentes para os sucessivos Conselhos de Gestão, que, para eles, não passava do inimigo público número um a abater!

E, neste domínio, não são de admitir excepções, porque cada uma das tendências político-sindicais ao seu modo, também deu o seu contributo negativo, que se arrastou até aos dias de hoje…

Se dúvidas houvesse, bastaria agora recordar as recentes e públicas tomadas de posição, em entrevistas à Comunicação Social, de Arménio Santos, actual líder dos TSD – Trabalhadores Social-Democratas, pois, em vez dos problemas serem discutidos em sede própria (reunião conjunta de tendências político-sindicais com a direcção do SBSI para avaliar a situação), preferiu vir para a praça pública denunciar que o rei vai nu!..

Mas, quer queiramos quer não, de facto, o rei vai nu!

E tão nu vai trajando, que, em pleno Século XXI, é a todos os títulos condenável a atitude e o comportamento dos principais dirigentes do SBSI e dos SAMS, Delmiro Carreira e o Dr. Rui Mendes Riso, respectivamente, de iniciarem conversações sigilosas, mesmo que exploratórias, sem estarem mandatados pelos seus pares, aos quais omitiram tudo o que se estava a passar; assim como de Maldonado Gonelha e Santos Ferreira em promoverem ou darem cobertura a este tipo de “conversações sigilosas”, agora, com a agravante de todos os seus intervenientes serem socialistas…

Mas, os SAMS não são uma força política, muito menos sindical. Estamos perante uma instituição de prestação de cuidados de saúde e de assistência social, propriedade exclusiva do SBSI, mas sem qualquer vínculo partidário e ou governamental, onde os seus utentes também têm uma palavra a dizer. Tanto mais, porque são os trabalhadores bancários, e só esses, é que têm legitimidade para eleger ou destituir os seus Corpos Sociais.

Não vou fazer juízos de valor, mas que um processo desta natureza e envergadura se deveria pautar exclusivamente pela isenção, transparência total, seriedade e competência sobre as decisões a tomar e a via a seguir, num ápice, “descobertas as conversações”, mesmo que a título exploratório, insisto, que se arrastaram por mais de seis meses, transformou-se no caminho mais curto para lançar a suspeição, a desconfiança e a dúvida sobre a verticalidade de intenções dos seus intervenientes.

A menos que, no actual contexto do estado do Sector de Saúde, promovido pelo próprio Governo, de forma escondida, camuflada, persistam intenções inconfessáveis, como se tem verificado noutros sectores, como, a título de exemplo, o caso da Caixa de Previdência e Abono de Família dos Jornalistas, que, sem apelo nem agravo, foi recentemente integrada na Segurança Social…


… à experiência gratificante!


Importa que fique claro e seja dito, sem margem para dúvidas ou suspeições, que, também, eu e Delmiro Carreira, em 1982, fomos membros do Conselho de Gerência dos SAMS e partilhámos o mesmo gabinete de trabalho, independentemente do nosso posicionamento ideológico, eu pela TESIRESD - Tendência Sindical Reformista Social-Democrata e ele pela Tendência Sindical Socialista, dado que ambas as tendências estavam em coligação.

Entre nós, sempre existiu uma confiança sem reservas, ao ponto de os nossos despachos e decisões conjuntas serem automaticamente ratificados pelo colectivo do Conselho de Gerência.

Tivemos discussões acesas sobre os nossos pontos de vista, no confronto das nossas ideias, por vezes, bem difíceis de obter a decisão que melhor se conjugasse entre a salvaguarda dos direitos e interesses do beneficiário e os da Instituição. Mas o bom senso sempre acabou por prevalecer. Inclusive, sempre aproveitámos as nossas deslocações em serviço às secções do SBSI e aos postos regionais dos SAMS para equacionarmos muitos dos problemas com que nos confrontávamos no dia-a-dia, e muito rara foi a viagem que não teve repercussões normativas e ou regulamentares na estrutura e funcionamento dos SAMS.

Sempre o afirmei em voz alta e bom som, que o actual presidente da Direcção do SBSI, Delmiro Carreira, havia sido e é o “pai” dos SAMS. Do mesmo modo, também, o Dr. António Gonçalves Barros, pelas suas qualidades humanas, profissionais, competência, seriedade e dedicação, com a sua ascendência a Director-Geral, se havia transformado no “pai” dos sucessivos Conselhos de Gerência, a quem os SAMS e os trabalhadores bancários muito (tudo) devem!

Injusto seria se não reconhecesse publicamente estas duas figuras ímpares que marcaram, como nenhuma outra, a vida dos SAMS e que, com o seu saber e dedicação, lhe deram, como nenhuma outra, o Norte e o pulsar como Instituição! Inclusive, sacrificando uma carreira profissional bancária que se adivinhava promissora e, consequentemente, das suas vidas familiares!

Pessoalmente, porque na minha santa ingenuidade sempre acreditei e acredito nos HOMENS, estou convicto de que, agora, se está perante “uma tempestade em copo de água” e que o bom senso vai prevalecer.

No seio dos bancários afectos ao SBSI, felizmente, ainda há muito potencial, competência, dedicação e seriedade suficientes para dispensar de vez a parceria que, agora, se anuncia. A concretizar-se, que fique claro, não deixará de trazer sérias convulsões ao próprio SBSI, com repercussões nos restantes Sindicatos, do Centro e do Norte, e concorrerá para a descredibilização total dos SAMS a nível nacional.

Por outro lado, importa ter presente que o conjunto dos SAMS, a nível nacional, foram e são a fonte de inspiração permanente dos Bancos e Seguradoras, privados, dos PLANOS DE SAÚDE vigentes em Portugal, com a diferença de que enquanto a instituição dos bancários desenvolve e estimula a solidariedade entre os trabalhadores, lhes confere um padrão elevado de qualidade de vida e não só, os restantes limitam-se a promover o segmento mercantil, do negócio.

É esta, e só esta, a diferença e a distância que caracteriza um dos outros!

Quer se queira quer não, o mérito dos SAMS é a afirmação do demérito dos restantes sistemas e subsistemas, públicos e privados, de Saúde em Portugal, incluindo os PLANOS DE SAÚDE.

Neste contexto, é imperativo que o Governo e o Estado se assumam como pessoas de bem e honrem os seus compromissos e ponham as contas em dia, pois sempre são cerca de 46 milhões de euros, que numa Instituição como os SAMS sempre é algo de muito importante para a sua estabilidade, sustentabilidade e desenvolvimento.

E os SAMS ainda não são o SNS – Serviço Nacional de Saúde, apesar de lhe prestar importantes contributos… E, para mim, seja-me permitido reivindicar essa inviabilização de tentação totalitária, do uso do poder discricionário e da usurpação, como agora vem sendo moda, pois, se algum governo, seja ele qual for, tentar administrativamente apoderar-se dos SAMS, só o poderá fazer, de forma legal, após a obtenção do consentimento expresso, que por imperativo terá que passar por uma Reunião Magna de Bancários (Congresso).

Para quem já não esteja recordado, importa sublinhar que no 2º. Congresso Ordinário dos Bancários, realizado no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, fui o autor de uma tese, na qual, para além de propor a construção do Hospital dos Bancários, nela ficou, também, inviabilizada a possibilidade de os SAMS serem integrados no SNS – Serviço Nacional de Saúde ou no Ministério da Saúde, cujas conclusões mereceram aprovação unânime dos presentes, com excepção da Direcção do SBSI e do Conselho de Gerência dos SAMS que, para além de promoveram a sua reprovação liminar, no momento da votação, se retiraram da sala.

O que me valeu, à saída, ouvir, de viva voz, de Delmiro Carreira, que, apesar de ter votado favoravelmente, só agora se tinha apercebido que eu havia oferecido um “bolo envenenado” ao Congresso.

Hoje, não tenho a menor dúvida em afirmar que essa vontade não tenha já pairado nas “mentes iluminadas” de alguns governantes, mas… congresso é congresso e, como ainda estamos num Estado de Direito Democrático, a decisão, então assumida pelo Congresso, agora, só pode ser revogada pela mesma via!

Agora, seja-me permitido um desabafo. Se o Governo, qualquer que seja ele, tiver a lucidez de convidar alguns bancários para a gestão do SNS, talvez, o actual e deprimente estado de situação caótica em que se encontra mergulhado venha a mudar radicalmente, dando lugar à competência, à racionalidade dos meios e procedimentos e, sobretudo, a uma maior e mais atempada operacionalidade!


Um relance sobre a história dos SAMS…


Em traços largos, importa ter presente que, depois de durante várias décadas, através do SBSI – Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, há 32 anos, os bancários iniciavam um caminho no qual, à partida, pesem as vicissitudes, contradições do sistema político vigente até ao “25 de Abril de 1974” e, consequentemente, as lutas então desenvolvidas, sabiam, consciente e responsavelmente, o que, no contexto dos trabalhadores portugueses, não queriam mais voltar a ter e a ver…


Contrariamente ao que muitos possam pensar, só após o “25 de Abril de 1974”, os bancários puderam, finalmente, libertar-se dos grilhões dos banqueiros e do próprio Estado, pois, até essa data, nem direito tinham à Segurança Social e, muito menos, proporcionado o acesso aos cuidados de saúde públicos. E, quando a eles recorriam, pagavam integralmente as despesas que lhes eram apresentadas, enquanto o patronato se limitava a assegurar o pagamento das pensões de aposentação…


No entanto, durante muitos anos, tal como hoje ainda se verifica, aos olhos de muito “boa” gente, os bancários não passaram e não passam de uns “privilegiados”!


E ocorre questionar:


- Privilegiados porquê e em quê?


Porque deram as mãos e chamaram, exclusivamente, a si a resolução dos seus próprios problemas, sem mendigarem ou reivindicarem ao OGE - Orçamento Geral do Estado (que, também, eles alimentavam e alimentam com os seus impostos…) os seus direitos como cidadãos e como trabalhadores?


De embrião a paradigma, um percurso…


Na realidade, na sede do seu sindicato, na Rua de São José, em Lisboa, durante algumas décadas, manhã muito cedo, ao almoço, à tarde, pela noite dentro, só para exemplificar, funcionava um consultório, onde muitos, entre consultas, pensos e tratamentos, ocorriam, também, às consultas de estomatologia, em que para tal, só a título de curiosidade, foi utilizada, até 1983, uma rudimentar cadeira de barbeiro…


Foi este o ambiente de “privilégio” vivido, da prestação qualitativa de cuidados de saúde e humanismo facultado pelo Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas aos seus associados, até que, dois anos após a “Revolução dos Cravos”, depois de algumas experiências, nem sempre bem sucedidas nem consolidadas, junto da Banca nacionalizada, excepção feita a quatro instituições de crédito - Banco do Brasil, Bank of London, Crédit Franco-Portugais e Montepio Comercial e Industrial -, em 1 de Janeiro de 1976, surgiam à luz do dia, os SAMS – Serviços de Assistência Médico Social, sob a tutela do SBSI – Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, na Rua dos Bacalhoeiros, em Lisboa, tal como em Coimbra (Sindicato dos Bancários do Centro) e no Porto (Sindicato dos Bancários do Norte), mas já com um importante historial e experiência adquiridos durante décadas.


No início foi um sonho…


Um caminho não fácil de percorrer até aos dias de hoje, mas que, apesar de muitos acidentes de percurso, sobreviveu, desenvolveu-se, concretizou-se e consolidou-se!


Hoje, retrospectivando, depois da evolução dos serviços da Rua de São José para a Rua dos Bacalhoeiros, com a ampliação do número de salas de consulta, da abertura, em 1978, do Centro Clínico de Ambulatório, no Palacete, situado na Rua Marquês da Fronteira, a entrada em funcionamento, em 1994, de uma das melhores unidades de saúde do país, o Hospital dos Bancários, nos Olivais, e, em Março de 2003, o novo Centro Clínico de Ambulatório, na Rua Fialho de Almeida, tudo em Lisboa, assim como, a abertura de Postos Clínicos periféricos e regionais, e, no âmbito social, a inauguração, em Maio de 1993, do Lar de Idosos, em Brejos de Azeitão, constituem, no seu todo, uma sucessão de marcos históricos vivificantes, por excelência, na vida do SBSI - Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, e paradigma no universo dos sistemas e subsistemas de Saúde, público e privado, portugueses!


Sustentabilidade dos SAMS


Neste contexto, importa sublinhar que a sustentabilidade, o funcionamento e o desenvolvimento dos SAMS sempre foram assegurados e garantidos, exclusivamente, pelas contribuições dos bancários (*1,5%) e pelas entidades patronais (*6,5%), sem recurso a quaisquer verbas provenientes do OGE – Orçamento Geral do Estado. (* Valores actuais)


Inclusive, a Secretaria de Estado do Tesouro, órgão que tutela a Banca portuguesa, nunca em circunstância alguma, reivindicou a sua participação nos Órgãos de Gestão dos SAMS (Conselho de Gerência), o que até se aceitaria como perfeitamente natural e legítimo.


Todavia, em 6.10.1999, é celebrada a assinatura de um protocolo com o IGIF – Ministério da Saúde, o qual põe termo ao diferendo de vários anos de querela com o Ministério da Saúde, relativamente à situação dos beneficiários dos SAMS face ao SNS – Serviço Nacional de Saúde, ao reconhecer definitivamente os direitos dos beneficiários, traduzido na atribuição de uma compensação aos SAMS por estes suportarem despesas que são da exclusiva responsabilidade do Estado.


…E agora?


Agora, cabe exclusivamente aos Bancários, porque é neles e só neles, que reside toda a legitimidade para decidir, assumir as decisões que se afirmarem por mais pertinentes, de acordo com a situação da Instituição, sem, contudo, darem ouvidos a falsos profetas, a “Velhos do Restelo” e ou arautos da desgraça, que, nestes momentos, estão sempre prontos a tirar partido de tudo e de mais alguma coisa…


Mais uma vez, honrando os seus pergaminhos e o seu passado de luta, cabe aos Bancários assumirem as suas próprias responsabilidades e tomar conta dos seus próprios destinos e do seu querer e determinação!


Não deixar que outros decidam pela sua própria cabeça, determinação e querer!


Cientes da firmeza das suas convicções, os Bancários, definitivamente, não devem permitir que forças político-partidárias e ou político-sindicais os conduzam para “becos sem saída”, nos quais sempre é encontrada solução para tudo, menos para a resolução e garantia dos interesses.

Boa Sorte!


Paulo M. A. Martins


__________________________________________


Quadro Bancário do Crédit Lyonnais (Portugal), aposentado
e ex-membro do Conselho de Gerência dos SAMS,
radicado em Fortaleza (CE)
Brasil

sábado, 23 de fevereiro de 2008

PORTUGAL - SEDES ALERTA PARA CRISE SOCIAL DE CONTORNOS IMPREVISÍVEIS...





Assembleia da República
Lisboa - Portugal



1. Sexta-feira, dia 22 de Fevereiro de 2008:



O jornal diário “PÚBLICO”, de Lisboa, fez publicar, com manchete na primeira página, uma peça sob o título:

O Estado e os políticos são os principais visados
SEDES alerta para crise social de contornos difíceis de prever
”,

onde, dada a conjuntura política, económica e social que se vive em Portugal, dava conta de uma “Tomada de Posição” da SEDES – Associação Para o Desenvolvimento Económico e Social.

Já começava a ser notória a ausência de uma “Tomada de Posição” oportuna, lúcida, séria e idónea quanto à evolução política portuguesa, e a SEDES, como associação cívica por excelência, acaba de tomar essa iniciativa, o que só vem corroborar o seu prestígio na análise e intervenção na vida nacional.

De facto, só quem não conhece a filosofia e o historial da SEDES não pode estar à altura de poder interpretar o que, verdadeiramente, se está a passar em Portugal. Também eu, tive o grato privilégio de passar pelas suas fileiras, onde, em dois mandatos consecutivos, fui secretário-geral, na década de 80.

2. Prestes a atingir quatro décadas, sobre a sua fundação em 1969, a SEDES – Associação Para o Desenvolvimento Económico e Social foi fundada em 1969, no decorrer do período da “Primavera Marcelista”, que se prolongou até 25 de Abril de 1974, sempre se tem assumido como uma das instituições mais credíveis, isentas e independentes de Portugal.

Alguns dos seus membros, imediatamente, após a queda do Professor Marcelo Caetano e do seu governo, depois que foram restauradas a Democracia e as Liberdades Públicas em Portugal, desde os Governos Provisórios aos Governos Constitucionais, foram chamados a exercer funções governativas, e, hoje, muitos deles estão integrados em todos os quadrantes políticos, nomeadamente nos Partidos Políticos com assento na Assembleia da República.

3. É bom, necessário e imperativo que se entenda que a Democracia autêntica não se limita e esgota nos partidos politicos, antes exige e promove a participação de associações civicas e responsáveis em prol do desenvolvimento de um país justo, equitativo e participativo nos problemas comuns de todos os porugueses.

Esta vivência, livre e democrática, exige vontade e humildade de todos, particularmente dos partidos políticos no sentido de entenderem e responderem o mais possível às expectativas do Povo e, quando não é possível, esclarecer e explicar as razões objectivas e transparentes das decisões em contrário.

Acontece que, actualmente, em Portrugal, não é assim que se faz, pratica e exerce a politica. Decide-se, só depois e nem sempre, se explica o mínimo indispensável...

4. Nunca, em tempo algum, a SEDES se preocupou com quem governa, mas, isso sim, como Portugal está a ser governado e conduzido em cada momento da sua vida nacional.

Razão porque, após a sua fundação e em actividade plena e ininterrupta, desde 1969, imediatamente, após o 25 de Abril de 1974 até aos dias de hoje, sempre se verificou uma recusa sistemática de evoluir para partido político. Ao longo de quase quatro décadas, isso sim, como parte integrante de um Estado de Direito Democrático, sempre se assumiu como ASSOCIAÇÃO CÍVICA.

Assim como, nunca os seus membros se assumiram como um “iluminado grupo de tecnocratas”... Tanto mais, porque, também, muitos dos seus membros sempre militaram e continuam a militar no seio dos principais partidos políticos portugueses.

5. Ao longo desta sexta-feira, muitas foram as reacções ao teor da “TOMADA DE POSIÇÃO”, que, mais abaixo, com a devida vénia, se reproduzir na íntegra.

E, neste contexto, enquanto a UGT e CGTP-IN corroboraram com o seu teor, já os representantes dos partidos políticos, cinica e hipocritamente, fizeram questão de dizer que, também eles, concordavam com o alerta social feito pela SEDES...

Também, o Presidente da República, Professor Aníbal Cavaco Silva, sem conhecer o teor da “Tomada de Posição” da SEDES, à margem da inauguração do Instituto CUF, do grupo José de Mello Saúde, em Matosinhos, limitou-se a dizer que, "Não nos podemos resignar perante as dificuldades. É preciso mobilizar os portugueses para as vencer".

6. Para quem acompanhou, como eu, aqui, no Brasil, ininterruptamente, a evolução ao longo do dia, inclusive, através da leitura das centenas de comentários, registados no jornal “PÚBLICO”, bem como dos desenvolvimentos na Rádio, não teve a mínima dificuldade em entender que a situação política, económica e social em Portugal é deveras preocupante, para não dizer grave... Mais parecia que já estávamos em período pré-revolucionário, como, passe o exagero, o que se viveu com o “PORTUGAL E O FUTURO”, do então General António de Spínola...

Conclusão. Para não falar em outras situações anteriores e não pretendendo fazer falsos alarmes, importa ter presente e sublinhar a recente intervenção do General Garcia Leandro, e, hoje, a da SEDES – Associação Para o Desenvolvimento Económico e Social, para se poder concluir que os PORTUGUESES estão perante sérios, lúcidos e oportunos avisos que são dirijidos ao ESTADO, PARTIDOS POLÍTICOS E AOS POLÍTICOS!...

Fortaleza (CE), Brasil, 22.Fevereiro.2008

Paulo M. A. Martins
(Ex-Secretário-Geral da SEDES)

_____________________


SEDES - Associação Para o Desenvolvimento Económico e Social


* * * TOMADA DE POSIÇÃO * * *




1. UM DIFUSO MAL-ESTAR

Sente-se hoje na sociedade portuguesa um mal-estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional.

Nem todas as causas desse sentimento são exclusivamente portuguesas, na medida em que reflectem tendências culturais do espaço civilizacional em que nos inserimos. Mas uma boa parte são questões internas à nossa sociedade e às nossas circunstâncias. Não podemos, por isso, ceder à resignação sem recusarmos a liberdade com que assumimos a responsabilidade pelo nosso destino.

Assumindo o dever cívico decorrente de uma ética da responsabilidade, a SEDES entende ser oportuno chamar a atenção para os sinais de degradação da qualidade da vida cívica que, não constituindo um fenómeno inteiramente novo, estão por detrás do referido mal-estar.

2. DEGRADAÇÃO DA CONFIANÇA NO SISTEMA POLÍTICO

Ao nível político, tem-se acentuado a degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários, praticamente generalizada a todo o espectro político.

É uma situação preocupante para quem acredita que a democracia representativa é o regime que melhor assegura o bem comum de sociedades desenvolvidas. O seu eventual fracasso, com o estreitamento do papel da mediação partidária, criará um vácuo propício ao acirrar das emoções mais primárias em detrimento da razão e à consequente emergência de derivas populistas, caciquistas, personalistas, etc.

Importa, por isso, perseverar na defesa da democracia representativa e das suas instituições. E desde logo, dos partidos políticos, pilares do eficaz funcionamento de uma democracia representativa. Mas há três condições para que estes possam cumprir adequadamente o seu papel.

Têm, por um lado, de ser capazes de mobilizar os talentos da sociedade para uma elite de serviço; por outro lado, a sua presença não pode ser dominadora a ponto de asfixiar a sociedade e o Estado, coarctando a necessária e vivificante diversidade e o dinamismo criativo; finalmente, não devem ser um objectivo em si mesmos...

É por isso preocupante ver o afunilamento da qualidade dos partidos, seja pela dificuldade em atrair e reter os cidadãos mais qualificados, seja por critérios de selecção, cada vez mais favoráveis à gestão de interesses do que à promoção da qualidade cívica. E é também preocupante assistir à tentacular expansão da influência partidária – quer na ocupação do Estado, quer na articulação com interesses da economia privada – muito para além do que deve ser o seu espaço natural.

Estas tendências são factores de empobrecimento do regime político e da qualidade da vida cívica. O que, em última instância, não deixará de se reflectir na qualidade de vida dos portugueses.

3. VALORES, JUSTIÇA E COMUNICAÇÃO SOCIAL

Outro factor de degradação da qualidade da vida política é o resultado da combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma justiça ineficaz. E a sensação de que a justiça também funciona por vezes subordinada a agendas políticas.

Com ou sem intencionalidade, essa combinação alimenta um estado de suspeição generalizada sobre a classe política, sem contudo conduzir a quaisquer condenações relevantes. É o pior dos mundos: sendo fácil e impune lançar suspeitas infundadas, muitas pessoas sérias e competentes afastam-se da política, empobrecendo-a; a banalização da suspeita e a incapacidade de condenar os culpados (e ilibar inocentes) favorece os mal-intencionados, diluídos na confusão. Resulta a desacreditação do sistema político e a adversa e perversa selecção dos seus agentes.

Nalguma comunicação social prolifera um jornalismo de insinuação, onde prima o sensacionalismo. Misturando-se verdades e suspeitas, coisas importantes e minudências, destroem-se impunemente reputações laboriosamente construídas, ao mesmo tempo que, banalizando o mal, se favorecem as pessoas sem escrúpulos.

Por seu lado, o Estado tem uma presença asfixiante sobre toda a sociedade, a ponto de não ser exagero considerar que é cada vez mais estreito o espaço deixado verdadeiramente livre para a iniciativa privada. Além disso, demite-se muitas vezes do seu dever de isenta regulação, para desenvolver duvidosas articulações com interesses privados, que deixam em muitos um perigoso rasto de desconfiança.

Num ambiente de relativismo moral, é frequentemente promovida a confusão entre o que a lei não proíbe explicitamente e o que é eticamente aceitável, tentando tornar a lei no único regulador aceitável dos comportamentos sociais. Esquece-se, deliberadamente, que uma tal acepção enredaria a sociedade numa burocratizante teia legislativa e num palco de permanente litigância judicial, que acabaria por coarctar seriamente a sua funcionalidade. Não será, pois, por acaso que é precisamente na penumbra do que a lei não prevê explicitamente que proliferam comportamentos contrários ao interesse da sociedade e ao bem comum. E que é justamente nessa penumbra sem valores que medra a corrupção, um cancro que corrói a sociedade e que a justiça não alcança.

4. CRIMINALIDADE, INSEGURANÇA E EXAGEROS

A criminalidade violenta progride e cresce o sentimento de insegurança entre os cidadãos. Se é certo que Portugal ainda é um país relativamente seguro, apesar da facilidade de circulação no espaço europeu facilitar a importação da criminalidade organizada. Mas a crescente ousadia dos criminosos transmite o sentimento de que a impune experimentação vai consolidando saber e experiência na escala da violência.

Ora, para além de alguns fogachos mediáticos, não se vê uma acção consistente, da prevenção, da investigação e da justiça, para transmitir a desejada tranquilidade.

Mas enquanto subsiste uma cultura predominantemente laxista no cumprimento da lei, em áreas menos relevantes para as necessidades do bom funcionamento da sociedade emerge, por vezes, uma espécie de fundamentalismo utra-zeloso, sem sentido de proporcionalidade ou bom-senso.

Para se ter uma noção objectiva da desproporção entre os riscos que a sociedade enfrenta e o empenho do Estado para os enfrentar, calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com bolas de Berlim, colheres de pau, ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodoviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou.

E nesta matéria a responsabilidade pelo desproporcionado zelo utilizado recai, antes de mais, nos legisladores portugueses que transcrevem para o direito português, mecânica e por vezes levianamente, as directivas de Bruxelas.

5. APELO DA SEDES

O mal-estar e a degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento. E se essa espiral descendente continuar, emergirá, mais cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever.

A sociedade civil pode e deve participar no desbloqueamento da eficácia do regime – para o que será necessário que este se lhe abra mais do que tem feito até aqui –, mas ele só pode partir dos seus dois pólos de poder: os partidos, com a sua emanação fundamental que é o Parlamento, e o Presidente da República.

As últimas eleições para a Câmara de Lisboa mostraram a existência de uma significativa dissociação entre os eleitores e os partidos. E uma sondagem recente deu conta de que os políticos – grupo a que se associa quase por metonímia “os partidos” – são a classe em que os portugueses menos confiam.

Este estado de coisas deve preocupar todos aqueles que se empenham verdadeiramente na coisa pública e que não podem continuar indiferentes perante a crescente dissociação entre o conceito de “res pública” e o de intervenção política!

A regeneração é necessária e tem de começar nos próprios partidos políticos, fulcro de um regime democrático representativo. Abrir-se à sociedade, promover princípios éticos de decência na vida política e na sociedade em geral, desenvolver processos de selecção que permitam atrair competências e afastar oportunismos, são parte essencial da necessária regeneração.

Os partidos estão na base da formação das políticas públicas que determinam a organização da sociedade portuguesa. Na Assembleia ou no Governo exercem um mandato ratificado pelos cidadãos, e têm a obrigação de prestar contas de forma permanente sobre o modo como o exercem.

Em geral o Estado, a esfera formal onde se forma a decisão e se gerem os negócios do país, tem de abrir urgentemente canais para escutar a sociedade civil e os cidadãos em geral. Deve fazê-lo de forma clara, transparente e, sobretudo, escrutinável. Os portugueses têm de poder entender as razões que presidem à formação das políticas públicas que lhes dizem respeito.

A SEDES está naturalmente disponível para alimentar esses canais e frequentar as esferas de reflexão e diálogo que forem efectiva e produtivamente activadas.




Sedes, 21 de Fevereiro de 2008

O Conselho Coordenador

________________

Paulo M. A. Martins
Jornalista Luso-Brasileiro
Fortaleza (CE)
BRASIL

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O EMPOBRECIMENTO DA NAÇÃO... EM DEBATE

De autor não identificado, mas bem intencionado..., porque me foi reencaminhado por E-mail, tomo a liberdade de reproduzir, na íntegra, o texto que, abaixo, deixo à vossa consideração.

O seu conteúdo sugere-nos uma reflexão atenta, cuidada e séria, e, querendo comentar, o debate está aberto.


Seja Bem Vindo ao DEBATE!



* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *


“O EMPOBRECIMENTO DA NAÇÃO...

Em 2003, dizia o Prof. Daniel Bessa, economista e ex-Ministro da Economia. Mais importante e preocupante que o défice orçamental é o déficie comercial. São 9% do PIB. O PIB há época era cerca de 140 Biliões de euros. 12.6 biliões de euros ano , o que significava que Portugal estava a empobrecer por ano aquele valor, e por tal Portugal tinha que inverter a situação e rápidamente tinha que estar a exportar mais de 25 a 30 milhões de euros por dia para diminuir o empobrecimento e equilibrar o défice externo.

NOS FINAIS DE 2007...

PORTUGAL tem um défice comercial de 12 % do PIB que agora são cerca de 160 biliões de euros (não tem porque tenha crescido 20 biliões mas porque a UE mudou as regras de cálculo o que fez aumentar o valor do PIB) o que equivale a 19,2 biliões de euros ano, o que quer dizer que Portugal está a empobrecer muito mais. O aumento do preço do petróleo contribui para aquele valor (6 biliões de euros foi quanto custou a Portugal o petróleo importado em 2007), mas não explica tudo, com o euro forte também não explicará tudo.

ESTAMOS CADA VEZ PIOR.


O PIB AUMENTA 1.8 % E O GOVERNO FAZ UM FOGUETÓRIO QUANDO A INFLAÇÃO FOI DE 2.8 %, O QUE SIGNIFICA QUE NÃO CRESCEMOS NADA, DIMINUIMOS SIM 1 %.

TRISTE SINA A NOSSA!

ENTÃO, O QUE FAZER ?

CAIR NA REAL, também os portugueses não querem. Medina Carreira anda a pregar no deserto há anos, e a única coisa que ganhou foi o título de "Profeta da desgraça". Enquanto dura pode ser que a gente se safe, que a crise nunca é para todos (um pensamento bem comum).

O governo tomar as medidas que tinha que tomar e ainda não tomou, como, por exemplo, reduzir a despesa com a função pública em 3% do PIB, quase 5 biliões de euros , e aplicar este dinheiro na redução do défice orçamental em investimento selectivo que tenha efeitos garantidamente multiplicadores, na promoção das exportações e na vinda de turistas para Portugal, como faz a Espanha!

Não toma, porque não consegue.

AS LEIS criadas pelos governos nos últimos 20 anos são um colete de forças, bem como as corporações e as associações que receberam e recebem dinheiro do Estado são fortíssimas e não deixam, como não deixam os donos do país, económicamente falando, (aprenderam pouco com o 25 de Abril e a tragédia que se seguiu) e não deixa quem trabalha nos ministérios com 200 000 funcionários a mais no mínimo, e que são, naturalmente, (porque têm que comer e dar de comer e fazer a família funcionar) grandes promotores da guerra passiva, e da obstaculização à mudança.

O governo começa a tocar a finados e alternativas também não se vislubram (o senhor de vila nova de gaia já mostrou que gerir o hipermercado não é o mesmo que gerir a mercearia).

Então, não há solução?

Bem... Agora e antes que seja tarde, precisamos de lucidez e que meia duzia de cabeças boas de homens impolutos que certamente os há em Portugal, com o apoio do Senhor Presidente da República, das Forças Armadas, da Igreja e dos chefes dos partidos, inclusivamente o do Partido Socialista e actual Primeiro-Ministro, (uma utopia, esta ideia) que arranjem uma saída que nos leve a sair desta letargia, deste afundamento contínuo, porque assim não vamos lá, nem para lá nem para sítio nenhum ...

Eu, que não me identifico, mas creio ser este o pensar de muitos portugueses, lanço o debate, porque as soluções, sinceramente, sei quais são...”


Autor não identificado,
mas bem intencionado...

_____________________________________________________________

"Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce."

___________________________________________________________________

Compilado por:

Paulo M. A. Martins
Jornalista luso-brasileiro
Fortaleza (CE)
Brasil

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

COMO SE GOVERNA, SIM! QUEM GOVERNA, NÃO!


Quando se toma a iniciativa de fazer a abordagem à forma como um país está a ser governado, importa ter sempre presente as convicções que animam essa atitude de cidadania.

Nem sempre os governantes vêem com bons olhos e com humildade como as críticas lhes são feitas, e antes de fazer a sua leitura, equacionar e sobre elas meditar, logo começam o contra-ataque, como se estivessem eqüidistantes e fossem os senhores absolutos de toda a verdade.

Na realidade, a verdade apresenta-se-nos com tendo duas faces: a que é imediatamente visível e a outra que nem sempre é visível... Ou seja, duas pessoas em fases diferentes tendem a apresentar-nos duas versões, praticamente diferentes, sobre uma mesma questão e, no entanto, pretendem transmitir a mesma verdade.

Vem tudo isto a propósito das atitudes do Primeiro-Ministro José Sócrates manifestadas, já por várias vezes, sobre as críticas, quer acerca das questões governativas quer sobre questões pessoais. Sejam quais forem circunstâncias em que tenham ocorrido, a reacção é sempre, mas sempre, de que se tratam de insultos pessoais, ao seu governo ou ainda de perseguição sistemática...

Pessoalmente, considero que, sejam eles quem forem, os nossos melhores amigos são todos aqueles que, por muito que nos custe, nos dizem a verdade e nos apontam o caminho. Por muito poder que se detenha, ninguém é omnipotente e omnipresente. Tudo na vida tem o seu tempo próprio de concepção, de gestação e de concretização no seu espaço e ambiente específicos.

Mas, o Primeiro-Ministro José Sócrates tem uma concepção de governar diferente – a do SHOW OFF, mas que acaba por cair na mesma armadilha de erros dos seus antecessores que tanto criticou, o que se torna ainda mais grave.

Numa só palavra, revela, antes de tudo o que se lhe conhece, falta de HUMILDADE DEMOCRÁTICA. Para ele, o importante é ESTAR, não se importando minimamente com o SABER ESTAR.

Possuidor de uma máquina infernal de promoção, o SHOW OFF é o catalizador dos cidadãos incautos, que com alguma maestria consegue transformar a mentira em verdade e, consequentemente, a verdade em mentira, assim como inverter os valores morais, espirituais, de liberdade e democráticos que deveriam nortear a nossa sociedade!...

Quase três anos são decorridos sobre a sua governação incompetente, desligada de valores éticos, que deu lugar a um imenso comício permanente onde, através da sua imponente máquina de propaganda e de promoção, pretende transformar Portugal num país de sonhos cor-de-rosa...

Na realidade, como alguns já vão tendo a coragem de dizer, não passa de um Primeiro-Ministro discricionário, persecutório e vingativo, exercendo a sua tirania sobre os mais fracos e indefesos e deixando-se subjugar ao poder económico selvagem, pois sabe muito bem que se não ceder pacificamente às sua exigências poderá cair de supetão, da noite para o dia, como muitas economias já sucumbiram neste mundo de globalização.

E o mais grave, é que não toma consciência de que não foi o poder econômico selvagem e cego que o colocou no pedestal. Foram, isso sim, os cidadãos, que ávidos de Justiça Social e de Prosperidade, o elevaram a Chefe do Governo de Portugal!

José Sócrates é, hoje, o homem mais isolado de Portugal!

À sua volta, em vez de solidariedade, tem homens e mulheres, políticos e empresários, que não querem perder o seu bem estar e, sobretudo, o poder e a influência que detêem.

Na Assembleia da República conta com uma maioria parlamentar que só actua cegamente porque estão agarrados à cadeira, a um chorudo salário e a mordomias tais, que, muitos deles, perante a eventual queda do Governo, não sabem se voltarão a ter mais outra oportunidade...

Entre dois males, o menor. Continuar a aplaudir o “chefão”, porque Portugal e os Portugueses ficam para depois!...

E, com toda a lucidez, concordemos que estamos perante um político que, por impreparado, e, perante um seríssimo revez do Partido Socialista e de alguns dos seus dirigentes máximos, ascendeu meteoricamente à chefia do Governo da Nação Portuguesa, onde não faltou a mão providencial e oportuna do então Presidente da República, Jorge Sampaio, ao provocar a demissão do então Primeiro-Ministro, Pedro Santana Lopes, e a convocar eleições antecipadas.

Hoje, os resultados estão bem à vista! Só os não vê quem não quer ou não lhe interessa ver...

Um Primeiro-Ministro com um Programa de Governo e uma governação desastrosa e sem enquadramento lógico e social, que mais parece uma manta de farrapos, porque para assumir essas funções não estava preparado e faltava-lhe e falta-lhe o bom senso, o saber fazer e a experiência que deve caracterizar os Homens de Estado.

Para a posteridade, num passará de um mero homem do aparelho partidário e pouco mais, e, mesmo para tal, são necessárias qualidades que José Sócrates, apesar da sua muito bem organizada agenda mediática e estratégica máquina de propaganda e promoção pessoal não lhe conferem a competência política para liderar o Governo de Portugal, um país com uma História quase milenar.

Tal como Jorge Sampaio, na Presidência da República, está a afirmar-se como o pior Primeiro-Ministro de Portugal porque a sua liderança é determinada pelos interesses económicos que o pressionam e subjugam.

Tal como iniciei, não estou preocupado com quem governa, mas que, na realidade, em Portugal, depois do “25 de Abril de 1974”, nunca se governou tão mal, à revelia do Povo Português e a favor dos interesses económicos, é uma verdade incontestável!

COMO SE GOVERNA, SIM!
QUEM GOVERNA, NÃO!


______________________

Paulo M. A. Martins
Jornalista Luso-Brasileiro
Fortaleza (CE)
Brasil