quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Mensagem de Natal e Ano Novo de 2008



Salvé Natal 2007!
Salvé Novo Ano de 2008!


Tempo de Natal, tempo da Família, assinala a aproximação do final de mais um ano, nesta caminhada da Vida, onde o tempo, no seu movimento constante e imparável, se afirma de Paz, de Amor, de Alegria e de Solidariedade!


Glória a Deus nas alturas e Paz na terra aos Homens de boa vontade !


Neste final de 2007, aqui vos deixo os meus votos de um Santo e Feliz Natal repleto das maiores bênçãos de Deus !

Que o Novo Ano de 2008 seja de muitas Prosperidades, e, sobretudo, vos proporcione tudo o que de melhor podereis desejar !

Que, no Novo Ano de 2008, a Paz, o Amor, a Saúde, a Alegria , o Sucesso e a Felicidade sejam as constantes das vossas vidas, e pleno de realizações, quer no plano familiar , pessoal e ou profissional .

São os meus mais ardentes e sinceros votos, extensivos, também, aos vossos entes mais queridos !

Embora distante, em terras do Brasil, quero reafirmar-vos que sempre podereis contar com toda a minha fraterna, leal e afectuosa Amizade.

Feliz e Santo Natal !
Próspero Ano Novo de 2008 !




20.Dezembro.2007
Paulo M. A. Martins

Fortaleza (CE)
Brasil

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

* * * “OE 2008” - QUANDO OS POLÍTICOS SÃO “IMAGEM DE UM PASSADO”, QUE, AGORA, SE RENOVA... * * *




Todos os anos, por esta altura, a Assembleia da República é o palco privilegiado para a apresentação, discussão e votação do “Orçamento de Estado”. O Governo e os partidos políticos com assento no hemiciclo afinam as suas estratégias, até ao último pormenor, para enfrentarem a grande maratona de discursos e de críticas sobre o documento em discussão...

Para um observador menos atento, dá para perceber tratar-se de uma feira de vaidades, onde está ausente a competência e a transparência de processos, onde cada um se debruça sobre tudo excepto nas virtudes ou demérito do documento em discussão. Uns mais do que os outros, mas o que interessa mais é a verborreia que se vai produzindo e ecoando ao longo de quatro dias de plenário.

Este ano, o “Orçamento de Estado para 2008” fez saltar para a ribalta dois grandes protagonistas: Pedro Santana Lopes, o recém-eleito presidente do Grupo Parlamentar do PSD e ex-Primeiro-Ministro, e o actual Primeiro-Ministro José Sócrates, em que se colocaram perante os holofotes da opinião pública. Um e o outro, são “duas ilustres personalidades” já bem conhecidas dos portugueses... E de gingeira...

Infelizmente, não pelos seus méritos, mas, isso sim, pelos seus deméritos que, cada vez mais, persistem em aprofundar e consolidar...

Melhor dizendo, enquanto Pedro Santana Lopes é na opinião de José Sócrates uma “imagem do passado”, pois ainda não aprendeu a ser político e com isto está tudo dito, o actual Primeiro-Ministro José Sócrates não consegue passar de uma pálida imagem de si próprio, onde predomina um verdadeiro arrolamento de promessas incumpridas, com Portugal a deslizar num plano inclinado, em sentido fortemente acelerado, para a sua inexequibilidade onde a degradação política, económica e social é um facto indesmentível.

No fundo, no fundo, são dois ditos “antagonistas” que se merecem, mas que o Povo Português, - aqueles que trabalham e que produzem para manter bem elevado os “egos” destas “tão ilustres” quanto “incompetentes personalidades” da política portuguesa -, merecia melhor sorte.

Cada um ao seu jeito e ao seu modo, demonstram bem à saciedade o ‘brilhantismo’ das suas “idéias e iniciativas”... Com uma diferença abismal e contraditória: Enquanto José Sócrates, quer queiramos quer não, quer aceitemos quer não, (des) governa Portugal investido de legitimidade democrática, onde os eleitores que o lá colocaram são co-responsáveis; Pedro Santana Lopes não se submeteu ao juízo popular, foi lá colocado, ao colo, pelo líder do PSD de então, Durão Barroso, que, entretanto, a dado momento, para também satisfazer o seu ego, resolveu virar as costas para, de armas e bagagens, se instalar na União Europeia...

A chamada fuga para a frente, colocando Portugal num plano inferior, enquanto os Portugueses foram deixados para trás...

E, assim, Pedro Santana Lopes, sem legitimidade democrática, porque não se havia submetido ao voto popular, ascendeu, do dia para a noite, sem saber ler nem escrever, a Primeiro-Ministro, cujo consulado, curiosamente, foi de curta duração...

Jorge Sampaio, que eu sempre considerei o pior Presidente da República, depois do 25 de Abril de 1974, encarregou-se, com ou sem razão, de trocar as voltas ao calendário e a Pedro Santana Lopes, para lançar na corrida, para o Palácio de São Bento, o seu “camarada” José Sócrates que, em eleições antecipadas viria a obter a maioria absoluta!

Democraticamente, indiscutível! Foi a vontade majoritária do Povo Português!

DUELO ANUNCIADO E PUBLICITADO...

Quer se queira quer não, hoje, estamos a assistir a um “duelo”, anunciado antecipadamente, entre um “pássaro” ferido nas entranhas e profundezas do seu orgulho, e um outro, orgulhoso do feito conseguido através do voto popular!

Tudo isto e não só, como se Portugal e os Portugueses não tivessem mais com quer se preocupar.

Resumindo e concluindo, quer um quer o outro ainda não atingiram a “maioridade política”. Não aprenderam a ser políticos e, muito menos governantes.

Se não, vejamos.

De há uns dias a esta parte, logo que eleito líder da bancada do PSD, imediatamente, se encarregou de fazer ou mandar espalhar aos quatro ventos, a ser verdade o que a Comunicação Social nos tem revelado, que iria “prensar” José Sócrates e, não ainda satisfeito, divulgou as áreas em que iria assentar a sua intervenção no Parlamento. A isto, para não utilizar outro (s) adjectivo(s), chama-se “infantilidade sim, mas, ingenuidade não”...

ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA:
PALCO DO PUGILISMO DEMOCRÁTICO...

Tudo isto, como se a Assembleia da República fosse um qualquer rinque de pugilismo...

O Primeiro-Ministro José Sócrates, que, pelos vistos, não brinca em serviço, e tem uma excelente “máquina de marketing”, imediatamente, começou a preparar e a documentar-se para responder, em tempo útil e com objectividade aos possíveis ataques previamente anunciados. E, no ajuste de contas aprazado, foi o que se viu e o que se sabe - avançou em mais promessas sobre promessas num tema que é muito querido aos cidadãos - a Saúde e as novas iniciativas...

Enquanto isto, Pedro Santana Lopes, logo, de imediato, declarou aos jornalistas que o primeiro “round” não lhe tinha corrido bem!...

Será que o líder da bancada do PSD, como é caso de Pedro Santana Lopes, ao ter este tipo de reacções “premeditadas, infantis e impensadas”, alguma vez pode ter sentido de Estado e arvorar-se em querer ser Primeiro-Ministro ou Presidente da República, como é, desde há muito, o seu desejo confessado?...

DECLARADA A INCOMPETÊNCIA...

Depois, tal como a Comunicação Social, nos dá hoje conta, surge o líder social-democrata, Luís Filipe Menezes, a dizer-nos à boca cheia e aos quatros ventos, de que, futuramente, os debates têm que ser acompanhados...

No meu entendimento, salvo melhor opinião, é um “atestado de incompetência” ao líder da bancada social-democrata. Assim como, também pode e deve ser interpretado pelo reconhecimento do insucesso do PSD, depois de tanta propaganda a anteceder o início do debate parlamentar, para discussão do Orçamento de Estado para 2008, particularmente a intervenção do Primeiro-Ministro José Sócrates...

Resumindo e concluindo, mais uma vez, quer se queira quer não, a “montanha pariu um rato...”

Obviamente, não vou perder mais tempo a dissertar sobre a discussão do “OE 2008”, porque, que se queira quer não, o resultado final está bem patente, e que vai resultar na sua aprovação pela maioria do Partido Socialista, instalada na Assembleia da República, enquanto os restantes partidos, na melhor das hipóteses se limitarão a fazer declarações de voto, para salvarem a honra das suas bancadas e deitarem poeira para os olhos dos portugueses...

Mas, neste processo, permitam-me que pergunte:

- E Portugal e os Portugueses onde ficaram?...

Certamente, não ficaram no mesmo lugar. Entre as muitas e muitas promessas formuladas pelo actual Governo, o tempo, rapidamente, se encarregará de demonstrar que não ficará nada melhor. Antes pelo contrário!...

Pois, hoje, ninguém duvida que o Primeiro-Ministro José Sócrates pensa uma coisa, diz outra diferente, para, no final, não ser coisa nenhuma, mas isso sim, mais uma desagradável surpresa!...

Foi, de entre as inúmeras que estão num saco cheio e já roto, com a promessa de baixar os impostos, com a criação de 150 mil novos postos de trabalho, com o REFERENDO ao novo Tratado de Lisboa e assim sucessivamente sem parar...

Até poderão acreditar, mas neste Primeiro-Ministro e neste Governo já não dá mais para acreditar... Esgotou-se a tempo, a paciência e a credibilidade que merecia...

O OUTRO LADO DA MESMA MOEDA...

E, chegados a este ponto, com toda a razão, perguntar-me-ão aonde eu pretendo chegar?

Tão simples, como isto:

- O actual regime político já está desacreditado, caduco, cilindrado, falido de competências e de valores morais e democráticos. Chegou ao fim!...

- Há que, rapidamente, pensar-se em outro figurino que, em ambiente democrático e de liberdade, dê resposta aos justos anseios e expectativas dos portugueses, pois não pode nem deve confrontar-se continuamente com a designação de portugueses de 1ª., 2ª. ou de 3ª. categorias.

- Há que renovar, rejuvenescer e racionalizar, de alto a baixo, independentemente do partido político a que pertençam, o quadro dos políticos portugueses, tanto mais, porque os actuais (incluindo os governantes) já atingiram a saturação máxima e entraram, definitivamente, em derrapagem, entrando num perigoso ciclo vicioso, onde não conseguem acrescentar inovação, mas caminham rapidamente para a degradação e desagregação aceleradas do regime democrático português.

- Quer o ainda actual quer o novo e futuro regime, não podem continuar a ser uma “gaiola dourada” para aposentados e reformados, e, muito menos, um “albergue” para acolhimento de candidatos à usufruição de mordomias e de entrada na aposentação ou reforma prematura, como escandalosamente se está a verificar.

- Confrontados com estas e outras assimetrias e situações aberrantes, escandalosas e imorais, em que os políticos, incluindo os governantes, agem em proveito próprio, qual não será o estado de espírito dos portugueses?

PORTUGAL É UM ESTADO DE DIREITO,
NÃO É UMA SAIL - SOCIEDADE ANÓNIMA DE INTERESSES LIMITADA!...

Convenhamos que muito mais haveria para acrescentar, mas, só por esta amostra, dá para poder avaliar o estado caótico, escandaloso e imoral em que colocaram o país e os sacrifícios que, quotidianamente, se exige aos portugueses.

Portugal não pode mais continuar a ser “coutada” de uns quantos onde os valores dos negócios e das “negociatas”, cada vez mais, prevalecem em detrimento dos valores humanistas e sociais.

Curiosamente, se tudo se processasse como deveria ser, com transparência e seriedade, já alguém imaginou quantos jovens licenciados encontrariam o seu primeiro emprego, enquanto outros tantos progrediriam nas suas carreiras profissionais?...

Mas, não!

Inclusive o escândalo é de tal ordem que, até na Assembleia da República, os deputados se vão revezando temporariamente, dividindo-se entre os seus afazeres profissionais e o Parlamento, quando não resolvem acumular...

Mas, infelizmente, não é só ao nível dos deputados!

Hoje em dia, o que mais se privilegia e prevalece são os já célebres “Boys & Girls”, herdados do Engº. António Guterres, quando Primeiro-Ministro, que, com o compadrio dos partidos políticos, designadamente os que exercem o poder, e dos governantes, ultrapassam tudo e todos, mas que, em matéria de conhecimento e de competência, deixam muito a desejar, quando comparados com os que aguardam por uma oportunidade no mercado de trabalho...

Infelizmente, é este o panorama e a imagem persiste de um Portugal que, há pouco mais de 33 anos, fez a sua tão original quanto justa Revolução dos Cravos, mas que, hoje, já começam a estar murchos e fedorentos...
A precisar de serem renovados!...


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Paulo M. A. Martins
Jornalista Luso-Brasileiro
Fortaleza (CE)
Brasil

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

BRASIL * * * Morreu o Embaixador JOSÉ APARECIDO DE OLIVEIRA * * * O Mundo da CULTURA e a CPLP ficaram mais pobres

Embaixador José Aparecido de Oliveira


A Notícia no GLOBO...

19/10/2007 - 19h15
Atualizado em 19/10/2007 - 22h02
/ política / minas gerais
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Cultura em luto


Morre o ex-ministro José Aparecido de Oliveira


Causa da morte foi insuficiência respiratória.Corpo será enterrado no sábado (20), em Conceição do Mato Dentro (MG).
O ex-ministro da Cultura José Aparecido de Oliveira, de 78 anos, morreu às 18h desta sexta-feira (19), na UTI do hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte.

Segundo o hospital, a causa da morte foi insuficiência respiratória. Oliveira estava internado desde o dia 1º. de outubro, quando passou por uma cirurgia para a retirada do pulmão esquerdo, atingido por um câncer. O estado dele se agravou com uma infecção e pneumonia.

O corpo de Oliveira será velado no Palácio da Liberdade, Belo Horizonte, e enterrado por volta das 16h deste sábado (20) em sua cidade natal, Conceição do Mato Dentro, interior de Minas. O governo mineiro decretou luto oficial no estado.

Carreira política

José Aparecido de Oliveira foi secretário particular do ex-presidente Jânio Quadros e deputado federal pela União Democrática Nacional (UDN) em 1962. Em 1964, acabou tendo o mandato cassado após o golpe militar. Voltou à Câmara dos Deputados em 1982.

Foi governador do Distrito Federal de 1985 a 1988, ministro da Cultura entre setembro de 1988 e março de 1990 no governo de José Sarney e embaixador em Portugal no governo do presidente Itamar Franco.

Seu último cargo político foi como assessor especial de Relações Internacionais na gestão de Itamar Franco no governo de Minas Gerais. Antes de adoecer, presidia a Fundação Oscar Niemeyer.

Legado

O ex-ministro deixa mulher, Maria Leonor Gonçalves, uma filha, Maria Cecília, e um filho, o deputado federal José Fernando Aparecido de Oliveira (PV-MG). "O grande legado dele foi a afirmação dos valores éticos. Ele sempre dizia "as mãos e a consciência limpa e o interesse público acima de tudo", disse o filho.

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), divulgou nota de pesar pela morte de Oliveira. "Sua vida e sua história se confundem com a história de Minas e do país, porque seu talento, inteligência e seu espírito público sempre estiveram presentes nos momentos mais decisivos e dramáticos do Brasil contemporâneo", diz o texto.

* * * * *

A

José Aparecido de Oliveira

Um Adeus até à Eternidade...

* * *

Partiu para a última viagem...
Cumpriu-se o predestino: nascer e morrer...

Da matéria restaram as cinzas.
Do espírito ficou a imortalidade
e a universalidade da sua obra.

Em vida, quiz o destino - o fado -
Forjar um homem de Lutas, de Letras,
de Cultura e de Fraternidade
Que deu, também, alma e razão de ser
À universalidade da Língua de Camões.

À Lusofonia.
À CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Agora, encerrado o ciclo da vida,
José Aparecido de Oliveira partiu,
Zarpou para a sua última viagem.
Para a Eternidade...

Glória à sua obra universal,
Paz à sua alma!

Adeus, Amigo e Companheiro!
Até à Eternidade!


Paulo M. A. Martins
Fortaleza (CE), 19.Outubro.2007


Aqui deixo expressa a minha mais profunda e sentida Homenagem ao grande e querido Amigo Embaixador JOSÉ APARECIDO DE OLIVEIRA, reproduzindo do meu livro “Elos e Afinidades no Jornalismo - Brasil” - Colectânea retrospectiva, o texto que se segue:

* * * * *

CPLP - COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

O abrir de um novo capítulo para a união dos povos


“Do desejo de alguns homens ilustres
nasceu a ideia que vingou, ou a dizer com
mais propriedade, floresceu... Despertou.
A CPLP, instituída, tem de ser um elo
Cultural, político, social e económico
entre os povos que falam o Português.”



O dia 17 de Julho de 1996, assinalado no universo lusófono pelo acto de assinatura da Declaração Constitutiva da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, foi o ponto culminante de uma longa e árdua caminhada que passa a figurar na História como sendo aquele no qual os povos integrados na lusofonia se tornaram verdadeiramente irmãos.

Hoje, somos perto de 200 milhões de falantes do Português, sétima língua mais falada no mundo e terceira no Ocidente. É esta a situação do Português, enquanto língua materna oficial. Não há um só continente sem a presença da Língua Portuguesa.

Embora de História recente, a Comunidade da Língua está sustentada em sete séculos de língua oficial portuguesa, o que lhe confere um grande suporte nos planos histórico e cultural.

O facto é que não podemos desconhecer que, hoje, temos uma Comunidade que há 500 anos fala a mesma língua na Europa, com Portugal, na África, com Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. E falam a mesma língua na América, num país como o Brasil, com a dimensão e população, como seja os Estados Unidos. E na Ásia, não podemos esquecer Timor Loro Sae, esse espaço de afirmação da nossa resistência enquanto língua. Em Macau, Goa e Malaca. E ainda por tantos e tantos recantos espalhados pelo mundo...

Mas importa recuar um pouco no tempo e recordarmos o dia 1º. De Novembro de 1989. Foi no Brasil, em São Luís do Maranhão, que, pela primeira vez, se reuniram os Chefes de Estado dos Sete (no caso de Angola, representado por uma personalidade ao mais alto nível), onde foi criado o IILP – Instituto Internacional da Língua Portuguesa.

Hoje, à distância, podemos, sem qualquer receio e sem cair no exagero, considerar que o IILP foi o embrião da recente institucionalização da CPLP, tanto mais, porque o seu espírito e objectivos foram, agora, nele incorporados, tornando-a uma entidade voltada para a promoção da Língua Portuguesa.

Pela sua força simbólica, onde a língua portuguesa é o vínculo básico entre os Sete e um pilar fundamental da CPLP, é de considerar ainda que, para além da sua importância como meio de comunicação privilegiado, o idioma constitui o cimento que sustenta todos os pilares desta COMUNIDADE.

De resto, entre outras, uma das preocupações primordiais da CPLP é a promoção da Língua Portuguesa no seio do próprio espaço lusófono, consubstanciada no combate ao analfabetismo, na criação e reforço dos mecanismos de difusão recíproca da literatura e das manifestações culturais dos Sete e, ainda, no aprimoramento do uso do Português, enquanto factor de unidade nacional.


* * * * *

José Aparecido de Oliveira
Corpo e rosto de uma luta messiânica



“... Não será verdade que um dos fundamentos desta epopeia é, exactamente,
a nossa afectividade?
Por isso, José Aparecido de Oliveira tinha que ser aquele que

iria dar corpo e rosto a esta realidade como é a CPLP.”
António Alçada Baptista


Todavia, falar do IILP e da CPLP obriga, por imperativo, à evocação do seu grande obreiro e responsável por essa luta messiânica, desenvolvida ao longo de décadas, em prol da Comunidade da Língua: JOSÉ APARECIDO DE OLIVEIRA.

Poderíamos caracterizá-lo como um brasileiro, revestido de uma forte personalidade multifacetada e carismática, que, para além de ser uma verdadeira máquina de fazer amigos e de cultivar e intensificar as amizades, afirma-se por uma infinita capacidade de trabalho, aliada a uma memória prodigiosa, cuja emocionalidade, sem abdicar do seu estilo “soft”, pode ir de zero a dez na escala de Richter.

Em traços largos, seria o perfil deste mineiro, de 67 anos, natural de Conceição de Mato Dentro, Minas Gerais, onde nasceu em 17 de Fevereiro de 1929, cuja ancestralidade está vinculada a Portugal através de sua mãe.

“Escreva no quadro:
- Inconstitucionalissimamente”


Foi com o Padre José Pedro Mendes Barros, professor de português, em Ouro Preto, que começou a dar os primeiros passos na aprendizagem da língua portuguesa. Esse homem, gramático e filólogo, com extraordinária vocação didáctica, começava por ensinar a maior palavra do idioma, dizendo: “Escreva no quadro: - Inconstitucionalissimamente”.

Muito tocado pelas lições do Padre Mendes Barros, ao longo da vida teve a oportunidade de aprofundar o entendimento e o sentido do idioma. De tal forma foi o seu entusiasmo, empenhamento e dedicação que acabou por desaguar na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Do jornalismo
à resistência democrática


“Dificilmente um homem sem eira nem beira,
como José Aparecido de Oliveira, consegue a
emocionante satisfação de ser o centro de uma
espontânea confraria de pessoas ilustres,
importantes, talentosas ou até mesmo
pura e simplesmente belas”.
Millôr Fernandes



Mas, para melhor se avaliar o perfil de José Aparecido de Oliveira, um homem aparentemente tranquilo, que, guiado pelo misterioso código genético, onde a ética e a convicção sobre os altos valores da Língua Portuguesa foram responsáveis por essa luta messiânica, afigura-se de traçar uma retrospectiva sobre o que foi a trajectória de uma carreira e o seu pensamento político.

Depois de concluídos os estudos em Ouro Preto e Belo Horizonte, onde se projectou como jornalista, trabalhou na Rádio Inconfidência, Diário do Comércio, Correio do Dia, Correio da Manhã (Rio de Janeiro), Estado de Minas, director da Revista Alterosa e Diário de Minas.

Para além de director da Associação Mineira de Imprensa, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais e da federação Nacional dos Jornalistas, foi o orador oficial do Primeiro Congresso Mundial de Jornalistas, realizado em Santiago do Chile, em 1953.

A sua chegada à vida pública verifica-se através do jornalismo, como um dos mais destacados líderes da resistência democrática da sua geração.

Na campanha eleitoral de 1960, participou no movimento que conduziu Jânio Quadros à Presidência da República. No Governo de Jânio, exerceu a Secretaria da Presidência da República e, em 1962, foi eleito Deputado Federal, sendo um dos dez mais votados em Minas Gerais. Na Câmara dos deputados teve singular actuação, afirmando-se como líder do movimento de renovação e revitalização da UDN – União Democrática Nacional.

Com a renúncia de Jânio Quadros, também, José Aparecido de Oliveira, enquanto deputado federal, teve o seu mandato parlamentar cassado pelo regime militar, na sequência do golpe militar de 1964, cujos direitos políticos foram suspensos por quase duas décadas.

Como cidadão, apresentou protesto judicial contra o comando militar revolucionário, através do seu advogado, Doutor Sobral Pinto.

Assim, durante o período de excepção, exerceu actividades empresariais e intelectuais e actuou na resistência democrática.

Em Minas Gerais, foi secretário de Estado da Agricultura e, ainda com deputado federal, convocado pelo Governador Magalhães Pinto, exerceu as funções de secretário de Estado do Governo, e do Interior e Justiça, cargos em que reafirmou as suas qualidades de administrador e de homem público.

Em 1982, ao readquirir os direitos políticos, verifica-se o seu regresso à ribalta da política ao ser eleito deputado federal por Minas Gerais, com quase 140 mil votos. Nesse mesmo ano, o Governador eleito, Tancredo Neves, confiou-lhe a criação da Secretaria de Estado da Cultura e, como seu primeiro titular, promoveu o Fórum Nacional de Secretários da Cultura, do qual foi seu primeiro presidente.

Em 1985, foi designado pelo Presidente da República eleito, Tancredo Neves, Ministro de Estado da Cultura, cargo então instituído pela primeira vez na esfera da Administração Federal. Posteriormente, com o Presidente José Sarney, é convidado para exercer o cargo de Governador do Distrito Federal (Brasília). No exercício dessas funções, retoma o projecto para Brasília, da autoria de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, e conquista para a cidade o título de Património Cultural da Humanidade, primeira referência do Século XX na Lista de Monumentos Mundiais da UNESCO.

No final do mandato do Governo Sarney, regressa ao Ministério da Cultura e promove o Primeiro Encontro de Ministros da Cultura da América Latina e Caribe. Por outro lado, articula e coordena o Acto Constitutivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, com ampla repercussão em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, cujo documento foi assinado a 3 de Novembro de 1989, em São Luís do Maranhão, na sequência da Cimeira dos Chefes de Estado dos Sete.

Em Outubro de 1992, é nomeado Embaixador Extraordinário Plenipotenciário da República Federativa do Brasil junto da República Portuguesa, cujas credenciais apresentou, em 12 de Janeiro de 1993, ao então Presidente da República, Mário Soares.

Em 21 de Maio de 1993, é nomeado Ministro de Estado das Relações Exteriores, para suceder ao actual Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que, à data, transitara para a pasta da Fazenda, cargo que não chegou a assumir por motivos de saúde, permanecendo, depois de uma ausência no Brasil, na Chancelaria em Lisboa.

De sublinhar que, é na qualidade de Embaixador em Portugal que, José Aparecido de Oliveira, lançou e apresentou a proposta político-diplomática da criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, com o apoio irrestrito do então Presidente da República, Itamar Franco.

Actualmente, é o Presidente da Fundação Oscar Niemeyer, destinada a preservar a obra do arquitecto de Brasília.

Como reconhecimento da actividade desenvolvida e pela obra realizada, possui condecorações concedidas por Chefes de Estado e de Governo de diversos países.

Agostinho da Silva
- Uma presença pioneira


A ideia da construção da Comunidade surgiu no Governo de Jânio Quadros, mais propriamente, quando da fundação da Universidade de Brasília. Darcy Ribeiro, seu responsável, convidou para colaborar nesse projecto o grande e saudoso professor português, talvez o maior filósofo da língua do nosso tempo, Agostinho da Silva.

Naquela época, em 1961, liderados pelo Professor Darcy Ribeiro, os professores Agostinho da Silva, Eduardo Tropa e José Aparecido de Oliveira, com o apoio de Jorge Amado, fundaram o Instituto Brasileiro de Estudos Afro-Asiáticos. De sublinhar que, foi no convívio com Agostinho da Silva que se fortaleceu a ideia e a convicção da necessidade de se criar uma Comunidade que reunisse todos os que falam a língua Portuguesa.

Dada a conjuntura que se fazia sentir no universo lusófono, o processo não foi fácil. Primeiro, foi necessário esperar que as nações africanas se desembaraçassem do estatuto colonial. Depois, a Revolução dos Cravos, ocorre em Portugal quando o Brasil se encontrava sob um regime ditatorial, pelo que os brasileiros tiveram de aguardar pela redemocratização.

Em seguida, Angola e Moçambique, após a independência, passaram por anos e anos de martírio, com a guerra civil instalada. Daí que, confrontados com todos estes acidentes de percurso, o projecto de entendimento “comunitário” tivesse sido sistematicamente protelado.


Jânio Quadros
- Clara visão do mundo...

Tal como todos os líderes que emergiram naquela época, Jânio Quadros tinha uma clara visão do mundo, dado o seu conhecimento profundo da Geografia e da História como poucos, passou a cultivar um interesse especial pela África. No seu entendimento, a África constituía um continente de articulação, pelo que nada haveria no mundo de importante que não passasse pelo espaço africano.

Nesta convicção, empenhados na política externa, foram promovidos alguns encontros entre o Presidente Jânio Quadros e o Professor Agostinho da Silva, donde resultou a decisão de enviar o navio-escola Custódio de Melo tocar todos os portos da África lusófona, ou seja, os portos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Dos vários estímulos obtidos, como resultado dessa viagem, o Governo de Jânio Quadros, no qual José Aparecido de Oliveira estava integrado como seu secretário, passou a dar especial atenção a desenvolvimento das relações com o meio africano. Com a renúncia de Jânio Quadros, na sequência do golpe militar de 1964, o projecto esteve suspenso durante cerca de duas décadas.

CPLP - Afirmação de força e de poder na cena internacional

Quando se tem 200 milhões de pessoas falando uma língua, repartidas por todos os Continentes, tem-se por certo uma afirmação de força e de poder na cena internacional. Hoje, à distância, não subsiste qualquer dúvida de que, a institucionalização do IILP, foi um acto de rara importância, tanto mais, porque daí resultou este acto maior que é a consagração da CPLP.

Mas o pensamento de José Aparecido vai mais longe...

Partindo do facto de que onde chegou o pé do português, com os Descobrimentos, chegou a Língua, que resiste no tempo. Há um entendimento, factor transcendental, que nos iguala e elimina preocupações de hegemonia: a alma comum fundada pela nossa Língua.

Palavras como “sonho”, “fantasia”, “história”, “saudade” ou “futuro” podem ser encontradas, com maior ou menor dimensão em todas as línguas. Mas, sem margem para dúvidas, há uma força telúrica comum, melhor dizendo, um “Fado” próprio a ligar os nossos Povos.

As novas gerações...

José Aparecido de Oliveira aposta nas novas gerações e nelas deposita a esperança de que não percam a visão atlântica da História de Portugal. É que o mundo que o português criou, tanto está em África, como está na Europa, de onde saíram os portugueses na saga dos Descobrimentos, como está na América, como ainda no Brasil.

No seu pensamento, somos um mesmo povo com configurações diferentes, onde cada uma das nossas diferentes nações tem a sua identidade, embora unidos pelo compromisso do mesmo sangue, da mesma etnia, da mesma língua, da mesma História e pela responsabilidade da mesma cultura. É isso mesmo o que define a Comunidade.

O descanso do “guerreiro”...
- Pura imaginação!...


Depois de um tão longo e sofrido caminho percorrido, poder-se-ia pensar que, para José Aparecido de Oliveira, é chegado o momento para o descanso do “guerreiro”. Pura imaginação!...

Foi, isso sim, o encerrar de um capítulo. Tanto mais porque, outro mais fascinante e prometedor, já começou!

Para quem o conhece e acompanha desde há alguns anos, facilmente conclui que vai ficar atento aos sinais e, na medida do possível, estimular novas propostas conducentes ao crescimento da Comunidade. Para ele, não é a hora de cruzar os braços. Pelo contrário, o importante é multiplicar as acções.

“Nesse sentido, sinto-me no começo de uma nova era. Enquanto tiver forças, quero estar presente nessa luta em favor dos Sete. Que me perdoe o Padre Mendes Barros, mineiro e lusófono como eu, mas a maior palavra da Língua Portuguesa não é “inconstitucionalissimamente”, mas sim COMUNIDADE, a da Língua, à qual todos pertencemos e devemos o compromisso de origem e de fidelidade”.

“É o sentido da fraternidade humana que o guia,
no sentido de sua Pátria e de sua gente”.
Fernando Gasparian

Para concluir, seja-me permitido, em jeito de homenagem, acrescentar que, quem tem por pátria a Língua Portuguesa e por gente toda uma Comunidade Lusófona, que empenhadamente ajudou a construir e a unir, tem, de facto, um coração que abraça, fraternal e solidariamente, toda a HUMANIDADE!

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Paulo M. A. Martins
Jornalista Luso-Brasileiro
Fortaleza (CE)
Brasil

sábado, 6 de outubro de 2007

Língua Portuguesa - Galiza na LUSOFONIA - Em que ficamos José Saramago?...













Região da Galiza quer juntar-se à Lusofonia

A região espanhola da Galiza quer fazer parte da Lusofonia e participar nos acordos sobre a língua portuguesa, através de uma academia que será formalizada no próximo ano.


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O anúncio foi feito hoje, sábado, 06.10.2007, em Bragança no encerramento do VI Congresso da Lusofonia por um dos promotores da iniciativa, Ângelo Cristóvão, secretário da Associação Amizade Portugal/Galiza.

Este organismo está envolvido no projecto de criação da Academia Galega da Língua Portuguesa, que será apresentado segunda-feira na Universidade de Santiago de Compostela, na Galiza.

Aquele responsável lembrou que a Galiza já participou como convidada na discussão dos acordos ortográficos em 1986 e 1990, mas não de uma forma institucional e pretende agora dar continuidade a esse trabalho participando como observadores ou mesmo como representantes no Instituto Internacional de Língua Portuguesa e outros organismos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Segundo disse, a nova academia deverá ser oficializada no próximo ano e será constituída por 35 académicos, entre os quais pretende ver também alguns portugueses.

Nas relações entre Portugal e Espanha o académico português Malaca Casteleiro defendeu que a língua portuguesa pode ser a solução para o diferendo com quase dois séculos entre os dois países pela disputa do território de Olivença.

«Portugal devia era defender que tivessem dupla nacionalidade e disponibilizar o ensino da língua portuguesa no território», defendeu.

Neste congresso foi ainda entregue o primeiro prémio da Lusofonia, no valor de 1500 euros, instituído pela Câmara de Bragança, que apoia o evento.

Entre 93 trabalhos oriundos de Portugal, Brasil, Canadá e Espanha, o vencedor foi Pedro Baptista, de Coimbra, com um trabalho de poesia 'Nove Ciclos para um Poema', desenvolvido a partir de pequenos trechos de autores dos nove países da lusofonia.

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[ in Lusa / SOL (in www.sol.pt, edição on-line de 6-10-2007 ]

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Comentário
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E, agora, perante esta decisão, cabe perguntar ao Nobel da Literatura, José Saramago, em que ficamos?...

José Saramago, na sua "nobel e douta" perspectiva pretende continuar a impor o que o Povo da Galiza acaba de rejeitar liminarmente ao pretender ser incluido na LUSOFONIA?

A decisão agora anunciada, só vem corroborar a minha posição assumida, neste espaço, em Julho passado, quando o Nobel da Literatura, José Saramago, defendeu publicamente a integração de Portugal na Espanha...

Na altura, segundo o artigo publicado, de minha autoria, afirmei e, hoje, reitero firmemente:

"Pela sua ideologia decorrente da miltância no "Internacional Comunismo", já há muito que sabíamos que o escritor português, José Saramago, Nobel da Literatura, anda em crise profunda com as origens e valores, quanto à sua nacionalidade - Portugal... Mas, daí, chegar ao ponto de avançar, publicamente, para a integração de Portugal na Espanha, não lembraria ao mais profundo demente!"

E não se pense que eu não sei distinguir a diferença entre a Galiza e a Catalunha...

Neste processo, quem será o verdadeiro demente?

O Nobel da Literatura, José Saramago?...

O Povo da Galiza?...

Que cada um tire as suas conclusões...

Pela minha parte, já, desde há muito, que tirei as minhas conclusões!

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Paulo M. A. Martins
Jornalista Luso-Brasileiro
Fortaleza (CE)
Brasil

terça-feira, 2 de outubro de 2007

* * * * PORTUGAL SÉCULO XXI * * * * A EXPLORAÇÃO DO HOMEM PELO HOMEM CONTINUA... * * *









A liberdade de imprensa tem que, responsavelmente, sem reservas nem condicionalismos, respeitar as outras liberdades. Não pode nem deve ser assumida como verdade única ou como um dogma.
Paulo M. A. Martins
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Contratos de Trabalho, Contratos a Prazo

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Recibos Verdes...


"Achei que era uma boa oportunidade
para chamar a atenção para um
problema que é cada vez mais
transversal,infelizmente."

João Assis Pacheco
Jornalista


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Os factos que foram notícia...
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Repórter João Pacheco usa prémio
para pagar à Segurança Social



Foi atribuído ao jornalista João Assis Pacheco, filho do falecido jornalista, poeta e escritor Fernando Assis Pacheco, o "Prémio Gazeta Revelação 2006", por três reportagens publicadas na revista Pública, do jornal Público, que num gesto de solidariedade singular, dedicou o galardão a todos os jornalistas precários, já que, ele próprio, é um profissional remunerado através de “recibos verdes” à peça.

E, referindo-se ao destino a dar ao prémio, no montante de cinco mil euros, que será repartido com os repórteres fotográficos que participaram nas reportagens, na presença do Presidente da República, Professor Aníbal Cavaco Silva, afirmou: "Como trabalhador precário que sou, deu-me gozo especial receber o "Prémio Gazeta Revelação 2006", do Clube de Jornalistas. A minha parte do dinheiro servirá para pagar dívidas à Segurança Social".

E João Assis Pacheco, aproveitou, precisamente, a cerimónia de entrega dos prémios para homenagear todos os profissionais da Comunicação Social que trabalham numa situação precária. "Não sei se é costume dedicar-se este tipo de prémios, mas vou dedicá-lo. A todos os jornalistas precários", disse. "Se a minha situação fosse uma excepção, não seria grave. Mas, como é generalizada - no jornalismo e em todas as áreas profissionais -, o que está em causa é a democracia. E no caso específico do jornalismo está em causa a liberdade de imprensa", sublinhou, sob o olhar de Cavaco Silva.

"Após quase três anos de trabalho, continuo a não ter qualquer contrato. Não tenho rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença", lamentou o jornalista.


Funcionários da RTP/Porto
entregam petição contra recibos verdes


Foi entregue no Tribunal de Trabalho de Gaia uma petição que visa a integração de 22 funcionários da RTP / Porto nos quadros da empresa. Do processo constam 22 acções contra a estação, sendo uma por trabalhador.

A documentação, que inclui "fotocópias de horários, requisições de automóveis, folhas assinadas pelas chefias a comprovar a realização do trabalho, requisição de equipamento da RTP e contratos de trabalho mensais", ascende às 19 mil páginas.

"O que queremos é ser integrados nos quadros e que nos paguem os retroactivos correspondentes aos subsídios de férias e Natal", disse o operador de som, informando que todos os queixosos são também operadores, e que, da parte da RTP, nunca houve disponibilidade para debater o assunto, sublinhando: "Fecharam-nos sempre a porta, rejeitando as solicitações para reunir e mostrar a documentação que tínhamos. Almerindo Marques [presidente do CA da RTP] declarou que não nos cabia o direito de reivindicar postos de trabalho porque éramos trabalhadores esporádicos."

Segundo o funcionário, trata-se de um rótulo falso: "A trabalhar com horário, 11 dias por mês?! Não somos diferentes dos do quadro: no programa "Prós e Contras" desta semana, eu fui o operador de som e o operador de sala foi o Cristiano Afonso, outro recibo verde. É só o debate mais visto da nação."
O caso mais antigo de recibos verdes, entre os queixosos, eleva-se a nove anos...


Um olhar sobre a legislação vigente...
Como se pode constatar, estamos perante duas situações bem definidoras e esclarecedoras da situação que os trabalhadores portugueses enfrentam no mercado de trabalho, o que define, claramente, a existência de dois pesos e duas medidas. Ou seja:

1. O "Contrato de Trabalho" em que o patrão ou a entidade patronal não só deve descontar ao trabalhador e reter o IRS e as contribuições para a Segurança Social, assim como as deve remeter, incluindo a sua própria contribuição para a Seg. Social, para as respectivas entidades (Ministério das Finanças e Segurança Social).

2. O "Contrato de Prestação de Serviços" em que o trabalhador, para além dos seus honorários, arrecada também o IVA correspondente, para posteriormente o entregar nas Finanças.

3. Neste contexto, se o patrão ou a entidade patronal "mascarar" um "Contrato de Trabalho", disfarçando-o de "Contrato de Prestação de Serviços", através de um "Recibo Verde" assinado pelo trabalhador, independentemente da ilegalidade cometida, os encargos a suportar saem-lhes mais económicos. Ou seja:

- No "Contrato de Prestação de Serviços" a taxa do IVA a suportar pelo patrão ou pela entidade patronal é de 21%, enquanto no "Contrato de Trabalho", seja a termo certo, incerto ou sem termo (sem prazo definido), é de 24,5% para a Segurança Social e, principalmente, não está isento do pagamento dos subsídios de férias e de Natal (13º. Mês), etc, assim como tem a faculdade de despedir / dispensar os serviços do trabalhador quando o entender, pois não está sujeito às normas do Contrato de trabalho.

- No entanto, importa ter presente que, quando é celebrado um "Contrato de Trabalho", entre o empregador e o trabalhador, este labora sob as ordens e direcção de outrém (entidade patronal ou seu representante), podendo, inclusive, ter um horário de trabalho, definição de local onde exerce a actividade, utilização dos equipamentos e ferramentas da empresa.

- Por outro lado, quando se trata de um "Contrato de Prestação de Serviços", o trabalhador é contratado para executar um trabalho específico ou uma determinada obra com total autonomia, e com os seus próprios equipamentos e ferramentas, sem estar subordinado a quem o contratou a uma hierarquia, não recebendo ordens sobre a forma como, tecnicamente, há-de executar o trabalho ou a obra.

4. Posto isto, como facilmente se poderá aperceber, o "Recibo Verde", - independentemente da sua cor, pois, foi uma opção que o "fisco" fez para os distiguir da tributação (IRS) da actividade laboral normal -, é uma artimanha que certos patrões e entidades patronais, sem o mínimo de escrúpulos, recorrem para contratar trabalhadores de uma forma menos onerosa, pois não são penalizados pelas contribuições para a Segurança Social, nem com o pagamento das férias nem do respectivo subsídio, assim como do subsídio de Natal (13º. Mês), disfarçando-os de "prestadores de serviços", quando, na realidade, estão subordinados a uma hierarquia e cumprem horários.

5. O grande problema é que o Estado, seja por uma razão ou por outra, não fiscaliza devidamente estas autênticas fraudes e determinados patrões e empresários continuam a abusar, particularmente quando o desemprego é elevado, como é presente a situação em Portugal.

E urge questionar:

- Para quando a coragem política de conferir aos Sindicatos o poder, não diria de fiscalizar, mas de denunciar as situações detectadas, cabendo, a seu pedido, à IGT a confirmação e a consequente instauração imediata do respectivo auto?...

6. Finalmente, será que ninguém ainda entendeu ou não quer entender que os "Contratos a Termo (ou a prazo)" só se justificam em situações em que é imprescindível substituir um trabalhador (por doença, cumprimento do serviço militar, gravidez, etc.) ou naquelas em que existe um acréscimo extraordinário de trabalho ou, ainda, devido à sazonalidade de determinadas actividades (hotelaria, turismo, etc.)?...

Será que é assim tão difícil interpretar e aplicar a legislação vigente? Ou, de facto, as motivações e o oportunismo, do Estado, dos patrões e dos empresários, são bem diferentes?...


Ao encontro da História e dos seus protagonistas...


Eis-nos perante os dois casos que o Diário de Notícias, de 28.Setembro.2007, relatou e que, equacionados à luz da legislação vigente, demonstram bem à evidência a discriminação e a "selvajaria" que persiste em dominar o mercado de trabalho em Portugal, sem que, até hoje, algum dos sucessivos Governos e a própria Assembleia da República tomassem a iniciativa de resolver esta desumana monstruosidade...

A esta hora o Dr. Mário Soares, recentemente, promovido a lobby do petróleo pela GALP, junto do patrono da Revolução Socialista venezuelana Hugo Chavez, deve sentir-se o cidadão mais feliz de Portugal e, quiçá, do universo socialista mundial...

Mas, será que o socialista Hugo Chavez pensa da mesma forma?...

De entre os muitos feitos como Primeiro-Ministro de Portugal, é a Mário Soares que se deve a criação e institucionalização dos "Contratos de Prestação de Serviços", mais conhecidos por "Contratos a Prazo", há mais de três décadas, com o então Ministro do Trabalho Marcelo Curto.

À época, foi considerada, por algumas personalidades políticas e não só, como uma "conquista revolucionária dos trabalhadores", pois era um importante instrumento para a "domesticação" dos empresários, então designados por "capitalismo selvagem"...

Hoje, decorridas mais de três décadas, esta medida política, singular e paradigmática, constitui um importante factor de instabilidade, insegurança e sem perspectivas de futuro que tende a se perpetuar "ad eternum"... Por outro lado, nunca o patronato esteve tão bem colocado e instalado, pois, através desta metodologia de "contratação" de mão-de-obra, em relação ao futuro da empresa está plenamente desresponsabilizado de compromissos e obrigações...


Avanços tímidos mas inseguros...


É certo que, a pesar de todos os seus aspectos negativos, a legislação, neste domínio, mercê de vários paliativos introduzidos, conheceu alguns avanços, muito pequenos e insuficientes, em ordem a favorecer os trabalhadores, sem, contudo, responsabilizar e ou penalizar grandemente os empresários que mantém, sobretudo, os seus direitos discricionários incólumes...

E, volvidas mais de três décadas, a prática dos Contratos "a Prazo", que a princípio parecia ser transitória, enquanto a economia nacional e as empresas não atingissem a sua normalidade, se vem perpetuando... enquanto vão proliferando os falsos "Contratos de Prestação de Serviços" (remunerados através de “recibo verde”), para mascarar verdadeiros Contratos de Trabalho, mas sem as responsabilidades inerentes.

De Presidente da República para Presidente da República e de governo para governo sem que se veja a mínima vontade política e determinação para lhes pôr termo...

São as tais iniciativas ou leis que, de provisórias, vão evoluindo e consolidando, tornando-se definitivas...

Enquanto isto, a desregulação foi-se acentuando e, paulatinamente, evoluindo para os Trabalhadores Precários e Tarefeiros , aqueles que nem ao simples Contrato a Prazo têm acesso. E vamos encontrá-los em todos os sectores de actividade, sejam eles do Estado e ou do sector privado, com o peso de todas as consequências nefastas que daí advêm para os trabalhadores e para as suas famílias.

Convenhamos que, neste domínio, todas as iniciativas desenvolvidas pelas Centrais Sindicais, CGTP-Intersindical e UGT, e pelos sindicatos, e ainda o próprio Conselho da Concertação Social, pouco ou nada têm feito, e, muito menos, produzido resultados práticos, quando muito o acentuar de cedências sobre cedências ao patronato, cada vez mais penalizadoras dos trabalhadores...

Também, os Partidos Políticos com assento na Assembleia da República, se têm mantido indiferentes e alheados do problema, mais parecendo que existe um conluio, tácito, onde todos estão coniventes e são cúmplices com todo sistema e a prática instalada, de montante a jusante. E, quando algo fazem, apenas o fazem muito menos que nada, sem levantar e gerar objecções de maior...

Apenas, por mera circunstância..., no faz de conta que..., no deixa andar...


E assim se chegou ao Século XXI...

Caso contrário, não se teria chegado à escandalosa, imoral e desumana monstruosidade instalada no mercado do trabalho nacional, onde, inclusive, o próprio patrão-Estado, para não ficar atrás dos empresários privados, dá o exemplo vergonhoso com o recrutamento dos chamados "tarefeiros"...

Depois, para cúmulo de todo este processo, cínico, hipócrita e imoral, há ainda a registar a falta de solidariedade que se faz sentir ao nível dos restantes trabalhadores. Melhor dizendo: Cada um a olhar para o seu próprio umbigo, como quem diz, para o seu "status" magestático, cada vez mais inviolável, intransponível e intocável...

São os trabalhadores de primeira, de segunda e os de sem nenhuma grandeza...

Enquanto tudo isto, o Patronato, através das suas Organizações e estruturas representativas, com o apoio explícito do Governo, cada vez mais influencia, reforça e consolida as suas posições estratégicas ao nível da produção de legislação laboral específica e da contratação...

É um imparável e gravíssimo ciclo vicioso, que, cada vez mais, se adensa e agiganta e, sob o efeito de bola de neve, esmaga, inexoravelmente, as mais legítimas e fundadas expectativas dos trabalhadores atingidos por estas tão dramáticas quanto injustas e imorais situações gritantes.

- Será que Portugal, decorridos que são 34 anos sobre a "Revolução dos Cravos", ocorrida em 25 de Abril de 1974, ainda não alcançou a estabilidade política, económica e social?...

- Será que, depois de decorridas mais de três décadas, a economia portuguesa ainda não encontrou a sua estabilidade e entrou em velocidade de cruzeiro?...

- Será que os empresários ainda não tiveram tempo de se adaptar aos novos tempos e de arrumar as suas empresas?

- Será que os Partidos Políticos e o próprio Estado, que deveriam ser os primeiros a dar o exemplo, só sabem olhar e privilegiar as suas clientelas partidárias e elites?...

- Ou será que estamos perante a ganância e a incompetência desenfreada do patronato português, secundada pelos Partidos Políticos e pelo Estado, a galopar e a crescer a um ritmo vertiginoso e descontrolado mais parecendo "feras selvagens à solta" em perseguição das suas "presas", porque se afirmam verdadeiramente insaciáveis e sem escrúpulos?...

Mas, se olharmos para o extenso universo dos Precários e Tarefeiros, remunerados através de Recibos Verdes , constatamos que não são só os empresários do sector privado, mas, também, o Estado e o sector empresarial do Estado e não só...

Trata-se, efectivamente, de uma prática nociva e lesiva dos mais elementares direitos, dignidade e interesses dos trabalhadores portugueses, que caracteriza, de uma forma insofismável, não só o " capitalismo selvagem" dos empresários privados como se tornou extensivo aos demais sectores, incluindo o Estatal e o Público...

Mário Soares - “visão política restrita”...

Nunca o Dr. Mário Soares imaginou que a sua “meritória” decisão, de institucionalizar os Contratos a Prazo, em Portugal, quando Primeiro-Ministro, se projectaria, pelo espaço e pelo tempo, numa evolução de tamanho "sucesso e impacto social" (diga-se em abono da verdade, negativo), sempre acompanhada, reforçada e consolidada pelos seus sucessivos "ilustres" sucessores...

Inclusive, mesmo, ao longo de uma década, quando no exercício do que então designava por "Magistério de Influência", na Presidência da República, nunca ousou movimentar um único dedo ou manifestou a mínima vontade política no sentido de se proceder à correcção da sua própria decisão política, tanto irresponsável como monstruosa e imoral, para com os trabalhadores portugueses...

Em busca do rastro da origem...

Mas, quando são já decorridas mais de três décadas, os trabalhadores portugueses parecem estar, agora, mais do que nunca, a passar por um profundo lapso de memória, ao perder de vista o rastro da origem dos Contratos de Prestação de Serviços, ou a Prazo, que, paulatinamente, viria a lançar, também, os trabalhadores Precários e Tarefeiros, bem como a remuneração do trabalho prestado através de Recibos Verdes ...

Importa que se diga, sem tibiezas, sem receios e com toda a frontalidade, que a génese de todo este processo "macabro e indigno "é fruto do então Primeiro-Ministro Mário Soares, do Ministro do Trabalho Marcelo Curto e do Partido Socialista...

Nem mais nem menos!

De sublinhar, com ênfase, que esta questão foi e continua a ser uma verdadeira e profunda traição à dignidade dos trabalhadores portugueses, inseridos na Europa dos Trabalhadores, e constitui a maior vergonha para um regime político que se diz LIVRE e DEMOCRÁTICO, integrado na UE- União Europeia.

Estranha e obtusa forma de interpretar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, e respeitar e fazer respeitar os conceitos: Liberdade, Igualdade e Fraternidade...

Conclusão

O sol quando nasce não é igual para todos!...

Para uns, isso sim, mais do que para outros...


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Paulo M. A. Martins
Jornalista Luso-Brasileiro
Fortaleza (CE)
Brasil

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

* * * PORTUGAL - PARTIDO SOCIALISTA FEZ DESMORONAR UM PILAR DA LIBERDADE DE IMPRENSA...


O Sindicato dos Jornalistas (Lisboa - Portugal) divulgou o Comunicado da FEJ - Federação Europeia de Jornalistas, no qual condena a Assembleia da República pela aprovação do novo Estatuto do Jornalista.
Sem mais comentários, se reproduz, na íntegra, o referido comunicado, deixando à vossa consideração a reflexão sobre o clima que o Governo de José Sócrates e a maioria socialista instalada na Assembleia da República estão a pretender institucionalizar em Portugal.

Nós, os jornalistas portugueses, estamos, desta forma, perante uma afronta gravíssima que constitui um verdadeiro atentado à protecção das fontes confidenciais, pois contraria frontalmente toda a “jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos”.

Este, é, sem margem para dúvidas, o “PORTUGAL NOVO, LIVRE E DEMOCRÁTICO”, QUE A MAIORIA SOCIALISTA NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA E O GOVERNO ACABAM DE “OFERECER” AOS PORTUGUESES, E, EM PARTICULAR, AOS JORNALISTAS PORTUGUESES - O DESMORONAMENTO “DUM PILAR DA LIBERDADE DE IMPRENSA”.


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2007/SET/25


FEJ condena aprovação do Estatuto do Jornalista



A Federação Europeia de Jornalistas (FEJ) condenou hoje, 25 de Setembro, a aprovação do novo Estatuto do Jornalista pelo Parlamento português, frisando que esta lei retira aos jornalistas o seu direito a protegerem fontes confidenciais e a serem recompensados de forma justa pela utilização dos seus trabalhos.

"Ficámos sem palavras pela falta de consideração que os deputados portugueses manifestaram pelo veto presidencial e pela jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH)", afirmou o presidente da FEJ, Arne König, lembrando que a organização a que preside instou a Assembleia da República a rever o Estatuto do Jornalista levando em linha de conta as decisões do TEDH, que considera o direito dos jornalistas ao sigilo profissional como "um pilar da liberdade de imprensa".

Segundo a FEJ, o Parlamento apenas fez alterações cosméticas para cumprir formalmente com as exigências do veto presidencial, uma vez que na prática os juízes vão poder continuar a "recrutar jornalistas para fazer trabalho que caberia à polícia".

No que diz respeito aos direitos de autor, a organização sindical europeia contesta a manutenção na disposição legal que permite que os patrões usem os trabalhos dos jornalistas como bem lhes aprouver dentro dos seus grupos de média durante um período de 30 dias após a primeira publicação e sem que os autores recebam qualquer retribuição adicional.

A FEJ contesta ainda o enfraquecimento dos direitos essenciais dos jornalistas no que diz respeito ao controlo sobre a forma como os seus trabalhos são reutilizados, uma vez que tal "ameaça a integridade do jornalismo".

A Federação Europeia recorda ainda que "de acordo com a Constituição Portuguesa, o Presidente da República não pode vetar uma lei depois de esta ter sido aprovada duas vezes por uma maioria parlamentar, pelo que o Sindicato dos Jornalistas está a estudar quais as medidas que vai adoptar para prosseguir a luta."

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Paulo M. A. Martins
Jornalista Luso-Brasileiro
Fortaleza (CE)
Brasil

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

* * * JOSÉ SÓCRATES - O arauto das más notícias! A três tempos e três velocidades... * * *










Pensamento do Dia

“Lástima é que para escolher um melão se façam mais provas e diligências da sua bondade que para escolher um conselheiro para ministro”.

(Dom Francisco Manuel de Melo, 1721)

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O actual Presidente da UE - União Europeia e Primeiro-Ministro de Portugal, JOSÉ SÓCRATES, quando deputado eleito à Assembleia da República, nas listas do PS - Partido Socialista, pelo Círculo de Castelo Branco, relativo ao OE - Orçamento de Estado para o ano de 2003, escreveu um artigo que foi publicado no Jornal do Fundão, a 1 de Novembro de 2002 (Dia de Todos os Santos), sob o título: “Más Notícias do Orçamento”.

Hoje, decorridos quase cinco anos, o mesmo assunto volta a estar em foco e em equação, pelo que, agora, mais do que nunca, se afigura pertinente avaliar, comparar e tirar as ilacções sobre o pensamento e a acção do então deputado do PS - Partido Socialista, José Sócrates, com o do actual Primeiro-Ministro, José Sócrates, quando são já decorridos dois anos e sete meses do seu governo.

E, hoje, perante o resultado da sua governação e o trajecto do seu Governo, afigura-se pertinente questionar o Primeiro-Ministro, José Sócrates, sobre a real interpretação a dar à sua prosa de então, sabendo-se de antemão, pela voz de Durão Barroso, que Portugal estava de tanga...

- Demagogia?...

- Verborreia discursiva?...

- Irresponsabilidade política?...

- Oportunismo?...

- Caça ao voto?...

- Desatento, desenquadrado e distanciado da realidade portuguesa?...

- Ou a crise, o tempo das vacas magras (que já devem estar tuberculosas), só surgiu, de sopetão, sem avisar, no seu “brilhante e competente” (des) Governo?...


Perante o conteúdo do “brilhantismo” referido seu artigo (de Opinião), não resisti em reproduzir algumas passagens do lúcido, brilhante e inteligente “Prefácio” a um dos meus livros, da autoria do Jornalista e Poeta NUNO REBOCHO, da RDP - Radiodifusão Portuguesa, aproveitando, para deixar, aqui, expressa a minha mais sentida e fraterna Homenagem, de muito apreço e gratidão, pelos ensinamentos que me transmitiu ao longo de mais de trés décadas.

E, Nuno Rebocho, meu ilustre Companheiro, de Lutas e de Letras, iniciava assim o seu “Prefácio”...

É por demais efémera a prosa jornalística. Vive o momento da sua publicação e esvai-se na memória. Os arquivos servem (depois) para vindoura investigação dos factos que fizeram o tempo. O jornalista sabe a regra e aceita-a. Escrevinhador diário, é um profissional do esquecimento.

Até que a revolta acontece: vai então à gaveta e saca os textos em segunda (re)leitura, apetecível quando o escrito ganhou comprovadamente intemporalidade.

(...) Assim, o que viveu e morreu nas páginas de um jornal ou de uma revista,( ...) que é, a seu modo, um arquivo revisitado.


Efectivamente, foi o que aconteceu. Não numa gaveta, onde estivesse guardado o recorte, muito menos nas páginas do jornal ou da revista...

Os tempos evoluíram, as técnicas também, assim como os tipos de arquivos e seu armazenamento...

No entanto, como referiu Nuno Rebocho, é importante ter presente que, por princípio, “...o jornalista é testemunha do tempo, mesmo se – aqui e ali – se deixa embalar pela dimensão dos “visitados”: é um risco assumido numa profissão de risco. É igualmente um rumo possível e admissível nesta missão de informar, comentar e afirmar.”

Talvez, por estas e outras razões inconfessáveis, José Sócrates, o seu Governo e os deputados do PS - Partido Socialista, na Assembleia da República, acharam por demais pertinente, também, silenciar de vez, os profissionais da Comunicação Social - os JORNALISTAS...

Ao fim e ao cabo, também, como fruto do meu “andarilhismo”, por este Mundo, como Nuno Rebocho me chamou, no referido “Prefácio”, em Maio de 2001, agora, aqui, no outro lado do imenso Oceano Atlântico, na cidade de Fortaleza, capital do Estado do Ceará, no Brasil, um país tropical, situado abaixo da linha do Equador, fui encontrar o referido artigo, titulado: “Más notícias do Orçamento”, do então deputado JOSÉ SÓCRATES, em http://o-andarilho.blogspot.com, o qual, dada a sua oportunidade, com a devida vénia, passo a reproduzir na íntegra.

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ARTIGO DE JOSÉ SOCRATES, EM 2002
Publicada por Lobo da Gardunha em 15.Setembro.2007, às 7:53 AM
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“Quando visitamos o sótão e remexemos a arca, encontramos sempre algo com alguma importância – histórica, politica, recordações, etc.

Encontrámos um recorte do Jornal do Fundão (1 de Novembro de 2002 - Dia de Todos os Santos), com o artigo, que é oportuno transcrever / lembrar, do deputado JOSÉ SÓCRATES, eleito pelo PS, no círculo de Castelo Branco, com o título:


Más notícias do Orçamento


O Orçamento de Estado para 2003 traz-nos uma mão cheia de más notícias: sobem os impostos, diminui o investimento público, aumenta o desemprego.

Os impostos sobem, desde logo, para as famílias: o IRS vai ficar mais caro em virtude da actualização dos escalões ser apenas de 2%, inferior à inflação esperada. Mas sobem também para as empresas, já que sobe o instrumento fiscal de pagamento especial por conta, cujo limite superior passa de 300 para 50.000 contos.

Mas se é verdade que os impostos sobem para as famílias e para as empresas, a verdade é também, que descem para os grupos económicos e financeiros, cujos SGPS – sociedades gestoras de participação sociais – passam a estar isentas, de novo, de imposto sobre lucros.

Esta é sem dúvida, a primeira marca que fica deste orçamento: uma profunda imoralidade fiscal. Para que 1500 contribuintes não paguem, há 5.000.000 que vão pagar mais.

Outra má notícia é que este orçamento corta no investimento público.

Pela primeira vez nos últimos sete anos diminui o investimento na Educação, na Ciência e na Cultura que têm cortes significativos. Sabendo como o investimento nestes sectores é essencial ao desenvolvimento, como justificar estes cortes?

Mas o mais chocante é que acabou a solidariedade com o interior. O investimento do nosso distrito passa de 148 milhões de euros para 107 milhões de euros: um decréscimo de 28%. Escandaloso. Finalmente o desemprego. Este orçamento prevê uma subida do desemprego para 5,4%. É a confissão de que o emprego deixou de contar. De ser uma prioridade da politica económica.

Aumento de impostos, desinvestimento, desemprego: alguém acredita que este orçamento vai promover a confiança e recupera a economia?

José Sócrates
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NOTA - O sublinhado é da nossa responsabilidade.

Qualquer semelhança, com o escrito em 2002 e a actual situação do País é pura coincidência. De facto, há políticos que têm uma forma peculiar de estar na oposição e ignoram / desconhecem as palavras coerência e responsabilidade.

Quando estão de “um lado”, parece que vale TUDO. Depois, como diz Henrique Neto, membro do PS, “quando se conjuga a ignorância com o poder”, é o que se vê!!!

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Conclusão

Perante tudo o que ficou escrito, resta-nos a confirmação de que JOSÉ SÓCRATES só revela aptidão para AS MÁS NOTÍCIAS!...

E fá-lo da forma mais desenvolta, inimaginável, inteligente e escorreita.

A três tempos e a três velocidades...

Ora na qualidade de Presidente da UE - União Europeia, ora na de Primeiro-Ministro de Portugal ou, finalmente, na de Secretário-Geral do PS - Partido Socialista. É obra!...

Assim como, pensa uma coisa, diz outra e consegue fazer de um modo ainda diferente do anteriormente pensado e dito...

Até nem lhe falta o engenho e a arte!...

Mais comentários?...


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Paulo M. A. Martins
Jornalista Luso-Brasileiro
Fortaleza (CE)
Brasil

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

* * * GUINÉ-BISSAU: Primeiro narcoestado do continente africano... * * *









Com o objectivo de dar a conhecer a realidade que caracteriza a situação política na Guiné-Bissau, com a devida vénia, se reproduz o lúcido e realista artigo do Escritor / Jornalista JOÃO CARLOS GOMES, subordinado ao título, “DO PAQUISTÃO À GUINÉ-BISSAU”.

Dada a relevância do trabalho, aqui reproduzido, não procederei a quaisquer comentários adicionais ou complementares, deixando aos estimados Leitores as consequentes ilações a extrair.

A Guiné-Bissau, como país integrante do espaço Lusófono, é, hoje, uma Nação que, agora, mais do que nunca, nos merece a nossa preocupação, dada a instabilidade política, económica, social e cultural (consolidada) que a caracteriza, sem que se vislumbrem soluções de fundo e de vulto à vista, enquanto, na diáspora, os Guineenses fazem ecoar a sua voz, em sinal de repúdio, apelando ao respeito dos Direitos Humanos!...

Enquanto isto, neste oceano de silêncio e indiferença, urge questionar:

- Por onde anda e ao que veio a CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa?...

GUINÉ-BISSAU - Um País e uma população, que os governantes e os políticos guineenses persistem em manter adiados... Até Quando?...

Quo vadis GUINÉ-BISSAU?...


Paulo M. A. Martins


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“DO PAQUISTÃO À GUINÉ-BISSAU”


OS PARALELOS ENTRE A RECENTE CHEGADA ‘ABORTADA’ DO EX-PRIMEIRO-MINISTRO NAWAZ SHARIF AO PAQUISTÃO E, A DE JOÃO BERNARDO ‘NINO’ VIEIRA, À REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU, EM ABRIL DE 2005



As consequências da impunidade; Sem se dar conta, o PAIGC fez campanha para Nino.


Por: Joao Carlos Gomes (*)


1. Os acontecimentos que marcaram a cena politica do Paquistão com a chegada do ex-Primeiro- Ministro Nawaz Sharif na segunda-feira, 10 de Setembro de 2007, à capital Islamabad, após um exílio forçado de cerca de sete anos, estabeleceram um paralelo interessante com os eventos políticos do dia 7 de Abril de 2005 na Guiné-Bissau que não podem ser ignorados. Foi nesse dia que o ex-Presidente João Bernardo ‘Nino’ Vieira chegou ao seu país natal, após cerca de seis anos de exílio forçado em Portugal, que se seguiram ao fim da ‘Guerra Civil de 1998-1999’.

2. Um levantamento militar que teve inicio a 7 de Junho de 1998, encabeçado pelo então Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, o Brigadeiro Ansumane Balancula Mané, e que beneficiou de um amplo apoio popular, viria a culminar com a deposição do então Presidente Nino Vieira em Maio de 1999, após dezoito anos de governação. No Paquistão, foi igualmente um levantamento militar, encabeçado pelo então Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, General Pervez Musharaf, em Outubro de 1999, que depôs o então Primeiro-Ministro Nawaz Sharif, enviando-o para um exílio forçado na Arábia Saudita. É assim que, embora com algumas diferenças circunstanciais, o paralelo estabelecido entre o regresso de Nawaz Sharif agora, com o do então candidato Nino Vieira, em Abril de 2005, para tomar parte nas eleições presidenciais, se torna relevante para o contexto politico guineense e, por isso, digno de menção.

3. Enquanto que Nawaz Sharif regressou ao país com o aval da maior instância judicial do seu país, o Supremo Tribunal de Justiça do Paquistão que tinha decidido que, ao abrigo da Constituição Paquistanesa o ex-Primeiro-Ministro tinha, na sua qualidade de cidadão, todo o direito de regressar ao país, e, este fê-lo em circunstâncias perfeitamente normais, utilizando para tal, um voo comercial, Nino Vieira, então candidato Presidencial regressou à Guiné-Bissau, a bordo de um helicóptero militar estrangeiro. O ex-Presidente guineense, não só, utilizou esta via para entrar, sem a devida autorização no seu país, obviamente, um Estado independente e soberano, mas em vez de utilizar o aeroporto internacional, aterrou no estádio de futebol de um complexo desportivo localizado, praticamente no centro de Bissau, a cidade capital.

4. Entretanto, os acontecimentos que se seguiram foram marcados por uma diferença notável na forma como terminaram as sagas políticas dos candidatos Nawaz Sharif e Nino Vieira. Confrontado com acusações pendentes de corrupção, o ex-Primeiro-Ministro do Paquistão, foi posto de imediato, num outro avião e, reenviado para onde veio - Jeddah, capital da Arábia Saudita, menos de cinco horas após a sua chegada a Islamabad. Em contraste, apesar da fórmula que utilizou para entrar no país, e; de várias acusações sérias que sobre ele pendem com relação a acções levadas a cabo durante a ‘Guerra Civil de 1998-199’, João Bernardo ‘Nino’ Vieira, nunca enfrentou cargos formais. Em parte, por isso, é hoje Presidente da República da Guiné-Bissau.

5. Imediatamente após ter sido eleito e, fazendo uso dos seus poderes constitucionais, o agora Presidente João Bernardo Vieira demitiu o governo do Primeiro-Ministro Carlos Gomes Júnior e, convidou um dos seus principais opositores, Aristides Gomes, o qual tinha jogado um papel crucial no seio do ‘bloco político’ que preparou o seu regresso, a formar um novo governo. Ou seja, ironicamente, numa lição prática sobre como deve funcionar um Estado de direito, e, apesar de ter utilizado a ilegalidade para obter e estabelecer a sua legitimidade, Nino Vieira demitiu o governo que não fez uso dos seus poderes legais para impedir a sua entrada ilegal no país.

6. Mas, as semelhanças e diferenças entre o cenário político da Guiné-Bissau, situada na costa ocidental do continente africano e, o do Paquistão no sudoeste asiático, não terminam aqui. Como acontece frequentemente em política, com a sua decisão de deportar o antigo Primeiro-Ministro, não teria o Presidente Musharaf, feito também uma leitura deficitária das possíveis reacções do eleitorado Paquistanês, e, no processo, montado, a favor de um dos seus mais ferozes oponentes, uma campanha eleitoral que, nem o próprio Nawaz Sharif podia sonhar conceber? E, já agora, para juntar um pouco de tempero a esta grande salada política, porque não comparar as situações de um outro Primeiro-Ministro, agora também no exílio, na Grã-Bretanha, Benazir Bhuto, e a de um outro político guineense, o ex-Presidente Kumba Iala, actualmente a viver em Marrocos? A julgar pelas declarações constantes do Deputado Biaia Na Pana do PRS, na Assembleia, a semelhança de Benazir Bhuto e de Nawaz Sharif, o ex-Presidente Kumba Iala também se encontra agora impedido de viver no seu próprio país, a Guiné-Bissau.


É a partir daqui que começam as diferenças entre as consequências das acções do Primeiro- Ministro Carlos Gomes Júnior da Guiné-Bissau e, as do Presidente do Paquistão, o General Pervez Musharaf


7. Ao contrário do regime militar actual do General-Presidente Pervez Musharaff do Paquistão, o governo civil e, democraticamente eleito do então Primeiro-Ministro Carlos Gomes Júnior não reagiu com a firmeza que se impunha, por parte de qualquer governo de um Estado independente e soberano. O que que teria acontecido se, por exemplo, em vez de Nino Vieira, a Guiné-Bissau estivesse a ser alvo de um ataque, semelhante ao que aconteceu nos Estados Unidos a 11 de Setembro de 2001? Diga-se em justiça que o grande problema para o Primeiro-Ministro Carlos Gomes foi o facto de que, não dispunha do apoio dos militares. Estes viriam a justificar as suas acções, alegando que Carlos Gomes os tinha ignorado. A sua atitude de distanciamento em relação aos militares era, até certo ponto compreensível, tendo em conta o papel ostensivamente negativo que algumas das chefias militares têm vindo a desempenhar, no contexto político nacional, o qual tem sido extremamente deplorado, inclusive, pela comunidade internacional.

8. Mas, no contexto de uma estratégia realista de gestão das relações entre os políticos e os militares na Guiné-Bissau actual, para que um Primeiro-Ministro se possa dar ao luxo de se distanciar politicamente da imagem criada pelas chefias militares, ele tem que ter garantida uma outra cartada alternativa muito forte na manga. E, a única forma de obter tal carta, é entrar em negociações com a comunidade internacional e, assegurar um mecanismo forte, capaz de exercer um papel ‘apaziguador’ eficaz, sobre as chefias militares. Carlos Gomes Júnior nunca o fez. E, por esta falta de estratégia, pagou consequências políticas pesadas. Para mais detalhes, ver os parágrafos: 28 a 31 da peça, ‘Nino Vieira, os Militares, a Governação, a Droga, e, só Agora, a Reconciliação Nacional?’, ‘Projecto Contributo’, Secção, ‘Nô Djunta Mon’, no site: www.didinho.org


Opções legais que estavam à disposição do Governo de Carlos Gomes Júnior e que este não exerceu - ou porque, devido à sua inexperiência política, não tinha conhecimento da sua existência - ou porque, simplesmente, decidiu não as utilizar


9. Para prevenir a impunidade contra o acto ímpar, inconcebível e inaceitável de violação grave do espaço aéreo do seu país, mesmo por parte de um ex-Presidente, e – sem esquecer o facto de que não teve o apoio das Forças Armadas para prevenir tal situação de afronta contra a sua autoridade - o governo do então Primeiro-Ministro Carlos Gomes Júnior tinha ao seu alcance várias outras opções que não exerceu. A primeira era, apresentar imediatamente queixa às instâncias internacionais, contra: a vizinha República da Guiné (Conakry), enquanto proprietária da aeronave utilizada na violação, e; o cidadão João Bernardo ‘Nino’ Vieira e, todos quantos o acompanharam na sua viagem de regresso, utilizando para o efeito, vias e meios não autorizados.

10. Em seguida pedir, de imediato, a convocação de uma reunião de emergência, envolvendo, por exemplo: o Conselho de Segurança das Nações Unidas; a União Europeia; a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental; a União Africana, e; a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, para avaliar a situação. Por causa das sérias implicações do acto em questão, tal reacção por parte de um governo civil legítimo - pois que democraticamente eleito - de um país soberano, podia ter tido como consequência, a anulação da elegibilidade de Nino Vieira como candidato para o cargo de Presidente de um país onde entrou, utilizando de forma deliberada e intencional, meios reconhecidamente ilegais, ao abrigo do direito internacional.

11. Ao ponderar a situação, as implicações e, sobretudo os precedentes político-militares e de segurança criados, teria sido extremamente difícil para os Estados membros de qualquer destas organizações, não se solidarizarem com, e, apoiar a posição do governo de Carlos Gomes Júnior, na sua tentativa de fazer cumprir as normas e regras internacionais que regem as relações entre Estados soberanos. Aliás, se tivesse feito uso das medidas ao seu alcance, o governo de Carlos Gomes Júnior teria indubitavelmente saído extremamente reforçado politicamente, tanto a nível nacional como aos olhos da comunidade internacional, pois tinha a seu favor um grande trunfo: o facto de, confrontado com uma situação clara de provocação política, ter agido com extrema moderação, ao não mandar abater uma aeronave que, sem estar confrontado com uma situação de emergência, entrou ilegal e deliberadamente no espaço aéreo do país, no qual aterrou sem a devida autorização.

12. Carlos Gomes Júnior teria beneficiado também de um outro factor, marcadamente agravante em desfavor do seu opositor: sendo General, mais do que ninguém, Nino Vieira estava ciente das implicações de uma tal violação flagrante. Mesmo assim, fê-lo, criando desta feita, uma situação potencialmente perigosa, que podia ter terminado de forma completamente diferente, agravando a situação de instabilidade político-militar que a comunidade internacional não tinha a vontade de apoiar. Não havia argumentos plausíveis que pudessem justificar as acções de Nino Vieira.

13. Dai que, do ponto de vista jurídico, enquanto o Presidente Paquistanês, Pervez Musharaf, agiu à revelia de uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça do seu país, cuja legitimidade não contestou legalmente mas que viria agora a contradizer, utilizando para isso a força, por seu turno, embora sem o apoio dos militares do seu país, Carlos Gomes Júnior tinha a vantagem de ter a lei do seu lado, e, por conseguinte, os mecanismos internacionais de segurança. Mas, em vez de os utilizar, e, tanto quanto se sabe, o Chefe do Executivo guineense limitou-se apenas a fazer meras declarações públicas, as quais viriam a enfraquecer, ainda mais, o seu perfil político.

14. E, como acabou por ficar provado, o facto de Carlos Gomes Júnior não ter agido com a firmeza que se impunha perante as circunstâncias, foi o princípio do fim do seu governo. A consequente impunidade de que Nino Vieira beneficiou, abriu as portas que viriam, em parte, a criar as bases legais que, em Maio de 2005, permitiram ao Supremo Tribunal de Justiça considerar, e aprovar, a sua candidatura. Falando nisso, porque não abordar brevemente:


Como é que – sem se dar conta - o PAIGC fez campanha para Nino Vieira e, ajudou-o a ganhar as eleições presidenciais de 2005


15. Se tivermos em conta o facto de que a Guiné-Bissau é um país com uma população que sofre de um índice de analfabetismo extremamente alto, e combinarmos este facto com a totalidade das circunstâncias à volta do regresso de Nino Vieira ao país, é fácil compreender como é que de um ponto de vista de estratégia, o ex-Presidente conseguiu estabelecer logo à partida, a sua autoridade e, consequentemente, a supremacia psicológica no cenário político nacional, factores que viriam, em parte, a jogar um papel determinante no resultado das eleições presidenciais.

16. Aqui, apenas como referência, vale a pena recordar o sucedido com um outro, agora, ex-político guineense, por quem o autor desta peça tem muita estima. Numa altura em que se preparava para regressar à Guiné-Bissau, nas vésperas das eleições legislativas prévias, os militantes do seu partido prometeram aos seus apoiantes que o seu candidato iria chegar a Bissau de helicóptero. Seja por que razão, esta promessa não se viria a materializar. Por mais simplista que pareça, a desilusão criada por esta falha em corresponder às expectativas, contribuiu, em parte, para pôr fim àquilo que doutro modo foi uma longa e brilhante carreira política, iniciada desde muito jovem. Teria sido esta a experiência que serviu de lição aos apoiantes de Nino Vieira e, na qual basearam a estratégia para o lançamento da sua candidatura? Porque não?

17. No entanto, dizer que a dramática chegada de helicóptero foi a única ou, a principal razão que levou à vitoria de Nino Vieira nas eleições presidenciais de 2005, seria ignorar, pelo menos, dois outros factos de que, durante o período eleitoral, nem o então Primeiro-Ministro Carlos Gomes Júnior, nem o resto da cúpula do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), parecem ter-se dado conta e que, foram também de uma importância capital:

18. Primeiro, o grande factor que os seus opositores podiam ter utilizado para desqualificar Nino Vieira, aos olhos do eleitorado, eram as decisões que tomou com relação ao período da ‘Guerra Civil de 1998-1999’. As complexidades à volta de tais decisões e, o seu impacto, são conhecidos apenas dos cidadãos das grandes cidades, sobretudo Bissau. A maioria da população da Guiné-Bissau, que vive nos campos, não foi afectada - directamente – pela guerra. Pelo menos, não sentiram o seu impacto imediato. Por isso, por ocasião das eleições de 2005, as populações menos favorecidas, incluindo muitos dos cidadãos que vivem nas grandes cidades, não se deram conta necessariamente do impacto da ‘Guerra Civil de 1998-1999’ nas suas condições de vida, seis anos mais tarde. Estavam mais preocupados em esquecer o período que se seguiu à guerra.

19. Segundo, uma outra questão ainda mais importante que os dirigentes do PAIGC não parecem ter entendido, foi o facto de que, para as populações do interior, o conceito de Nino Vieira ou, ‘Cabi Na Fantchamna’ (a outra designação pela qual ele é conhecido), como candidato ‘independente’ (no sentido de ‘separado’ ou, mesmo, ‘oposto’ ao PAIGC), ou não existe, ou é pouco claro. Nas suas mentes, o nome ‘Nino’ foi, e - era ainda em 2005 - associado com, os melhores dos melhores tempos do PAIGC, ou seja, o Partido dos anos sessenta, aos anos setenta.

20. Daí que, aos olhos destas populações, menos esclarecidas sobre designações político-partidárias modernas, como ‘candidato independente’, durante as eleições de 2005, Nino Vieira ainda era PAIGC. Não havia diferença. O problema é que: é precisamente aí que a maioria esmagadora dos votos se encontra. Por isso, não deve admirar que Nino tenha beneficiado directamente dos votos que, aos olhos desta camada da população, eram destinados ao PAIGC.

21. Até entenderem as complexidades históricas desta correlação de forças, e, começarem a formular mensagens específicas, estrategicamente concebidas para comunicar efectivamente a estas populações, a diferença entre o Nino Vieira ‘de então’ e, o Nino Vieira ‘independente’ de hoje, os militantes e dirigentes do PAIGC ‘da praça’, vão continuar - sem se dar conta disso - a mobilizar, angariar e, entregar a maioria dos votos, provenientes dos ‘campos’, a Nino Vieira.

22. Mas, ao montar as bases da sua estratégia política, os militares não foram os únicos que o Primeiro-Ministro Carlos Gomes Júnior ignorou durante a campanha presidencial. Nas circunstâncias acabadas de descrever, só uma utilização massiva da Comunicação Social, sobretudo a rádio, combinada com campanhas de esclarecimento envolvendo deslocações directas dos militantes do PAIGC à base, podiam ter ajudado a produzir resultados completamente diferentes. Não é por acaso que Nino Vieira se recusou a participar nos debates presidenciais. Ao fazê-lo evitou mais uma outra forma crucial de escrutínio do seu passado político recente, sobretudo com relação ao período da guerra civil, o qual teria tido dificuldades enormes em defender.

23. Um dos principais problemas que Nino Vieira enfrenta hoje, como Presidente, continua a ser a forma como entrou no país, estabelecendo, a partir daí, um exemplo de ilegalidade, do qual dificilmente se poderá desfazer, agora, se é que assim o quer. Conforme previamente mencionado, entre as consequências imediatas do seu acto, está o facto de que, os traficantes internacionais de droga deram conta de que, se um helicóptero militar estrangeiro pode, não só, entrar, sem a devida autorização, no espaço aéreo de um Estado independente e soberano, mas aterrar, mesmo no centro da sua cidade-capital, sem consequências de maior, no mínimo, eles também podiam entrar, pelo menos discretamente, em outras partes, instalar as suas bases e, fazer o seu negócio, sem problemas. Foi exactamente o que aconteceu, ‘elevando’ desta forma a Guiné-Bissau e, os seus um milhão e meio de habitantes, ao estatuto internacionalmente reconhecido hoje, de (cidadãos do) primeiro narcoestado do continente africano."


(*) João Carlos Gomes
Escritor / Jornalista

Nova Iorque
EUA


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Paulo M. A. Martins
Jornalista Luso-Brasileiro
Fortaleza (CE)
Brasil.