sexta-feira, 6 de julho de 2007

SER JORNALISTA É CHEGAR ATRASADO ASSIM QUE POSSÍVEL - Estávamos à espera de quê ?

No passado dia 21 de Junho, o Partido Socialista traíu os jornalistas portugueses.
O novo ESTATUTO DE JORNALISTA foi aprovado, na Assembleia da República, exclusivamente, com os votos da maioria socialista... Face a este acto de pura traição, OS JORNALISTAS PORTUGUESES AVANÇARAM PARA A LUTA!...






Também a FIJ - Federação Internacional dos Jornalistas, emitiu um contundente comunicado, onde manifesta, para além da sua solidariedade para com a Direcção do Sindicato dos Jornalistas e os Jornalistas Portugueses, a sua mais viva preocupação pela gravíssima situação criada pela aprovação dos recentes diplomas legais para o sector da Comunicação Social Portuguesa, aliás, já enviados para promulgação ao Presidente da República, com particular destaque para o Estatuto de Jornalista.

Em boa verdade, o Sindicato dos Jornalistas está a mobilizar, com todos os esforços disponíveis e ao seu alcance, toda a classe para a não promulgação do novo diploma, inclusive junto do Presidente da República, a quem solicitou uma audiência com carácter de urgência, assim como, acabou de realizar na sua sede, em Lisboa, uma Reunião com os Jornalistas afim de analisar e discutir o novo clausulado do Estatuto de Jornalista, que coloca em sério risco a Liberdade de expressão, de informar e ser informado, e a própria Democracia Portuguesa.

Indiscutivelmente, o momento que se vive, no seio da Comunicação Social portuguesa, está a revelar-se com alguma tensão, pelo que, para além das acções dinamizadas pelo Sindicato dos Jornalistas, acaba de ser criado um movimento de jornalistas, o “MIL - Movimento Informação é Liberdade”, que, atenta a gravíssima situação situação criada pelo Partido Socialista, se afirma com objectivos bem claros, em ordem à mobilização dos jornalistas portugueses para o momento que se atravessa.

Também, hoje, sexta-feira, 06.07.2007, no DN - Diário de Notícias, a jornalista Fernanda Câncio, no seu artigo de “Opinião”, sob o título: “Ser jornalista é chegar atrasado se possível”, aborda, de uma forma lúcida, frontal e sem reservas, toda a questão que se prende com a actividade jornalística, em Portugal, e sobre a intervenção do MIL - Movimento Informação é Liberdade.

Mais do que nunca, é imperativa a unidade dos JORNALISTAS PORTUGUESES, dos quais, também eu, não me excluo, sobretudo, porque, em oposição frontal à Constituição da República Portuguesa, aos Direitos Humanos e de Cidadania, é a Liberdade de expressão e a própria Democracia que estão, grave e frontalmente, ameaçadas.

Importa, isso sim, que todos os Jornalistas Portugueses se mantenham unidos, no mais perfeito espírito de solidariedade, sintonia e coesão e, sobretudo, que, nesta hora grave, possam reflectir, seriamente, sobre o momento actual, bem como o que, no futuro, pretendem para Portugal, para os Portugueses e para o desenvolvimento e consolidação da Democracia portuguesa, onde a Liberdade de expressão se assume como um imperativo constitucional.

Com a devida vénia, imediatamente, se reproduz, o referido artigo, na íntegra.


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SER JORNALISTA É CHEGAR ATRASADO ASSIM QUE POSSÍVEL

Fernanda Câncio
Jornalista


Pergunte-se a qualquer jornalista com uns anitos de profissão o que pensa do jornalismo que se faz em Portugal. O mais certo é que fale da orientação superficial e sensacionalista dos media; da sua perspectiva cada vez mais dirigida para o lucro e menos para a seriedade da abordagem e a responsabilidade social; da juvenilização acelerada das redacções e da exploração dos estagiários; do progressivo alheamento dos jornalistas da definição do rumo dos órgãos para os quais trabalham, com os Conselhos de Redacção a serem reduzidos a verbos de encher ou não existindo sequer. Ficará a impressão de uma falta de lastro generalizada e de uma tendência para o pontapé na deontologia - que em alguns casos alcança a selvajaria.

Apesar de esta visão da actividade ser comum a muita da classe, os jornalistas nada fizeram para dirimir a situação. Não criaram ou propuseram qualquer estrutura profissional fiscalizadora, convivendo alegremente com o facto de restar a quem se considerasse afectado pela actividade jornalística o recurso aos tribunais, à Autoridade para a Comunicação Social ou ao Conselho Deontológico do Sindicato. Sendo que este órgão do sindicato só tem "jurisdição" sobre os jornalistas sindicalizados e mesmo a esses só pode "recomendar" ou "censurar"; sendo que a Alta Autoridade (substituída pela Entidade Reguladora) tinha apenas poder para decidir sobre recusas de direito de resposta e decretar a sua publicação, e censurar condutas - mas sem efeito prático para os jornalistas; sendo que os tribunais não se podem pronunciar sobre uma série de faltas deontológicas e quando o fazem levam os anos e anos da praxe.

Em 2005, um novo Estatuto de Jornalista foi proposto pelo Governo PS. Fiz parte dos que então se juntaram em abaixo-assinado, promovido pelo Sindicato, contra a aprovação da lei, por a considerar infeliz e abusiva em alguns pontos. Foi, no entanto, aprovada e aguarda promulgação do Presidente. É nesta altura que assistimos à criação de um movimento de jornalistas, o MIL (Movimento Informação é Liberdade), que alega estar "em marcha o mais violento ataque à liberdade de Imprensa em 33 anos de democracia", incluindo nele o Estatuto, "os poderes e a prática da Entidade Reguladora, as novas leis da Rádio e Televisão e o anteprojecto de lei contra a concentração da titularidade". O manifesto não explica exactamente o que desagrada ao MIL nestas leis ou propostas. Tão-pouco dá um motivo para só agora ter consciencializado tão inusitada violência. O MIL explica-se pouco, como se fosse tudo evidente. Mas promete, imagine-se, uma coisa de que nunca ouvíramos falar: "Auto-regulação".

Tudo isto me faz lembrar uma frase do jornalista e escritor sueco Stig Dagerman: "Ser jornalista é chegar atrasado assim que possível." Contra mim falo, e aqui faço o meu mea culpa. Espero pois poder ousar uma pergunta: estávamos à espera de quê ?"

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Paulo M. A. Martins
Jornalista Luso-Brasileiro
Fortaleza (CE)

Brasil

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