quinta-feira, 20 de setembro de 2007

* * * JOSÉ SÓCRATES - O arauto das más notícias! A três tempos e três velocidades... * * *










Pensamento do Dia

“Lástima é que para escolher um melão se façam mais provas e diligências da sua bondade que para escolher um conselheiro para ministro”.

(Dom Francisco Manuel de Melo, 1721)

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O actual Presidente da UE - União Europeia e Primeiro-Ministro de Portugal, JOSÉ SÓCRATES, quando deputado eleito à Assembleia da República, nas listas do PS - Partido Socialista, pelo Círculo de Castelo Branco, relativo ao OE - Orçamento de Estado para o ano de 2003, escreveu um artigo que foi publicado no Jornal do Fundão, a 1 de Novembro de 2002 (Dia de Todos os Santos), sob o título: “Más Notícias do Orçamento”.

Hoje, decorridos quase cinco anos, o mesmo assunto volta a estar em foco e em equação, pelo que, agora, mais do que nunca, se afigura pertinente avaliar, comparar e tirar as ilacções sobre o pensamento e a acção do então deputado do PS - Partido Socialista, José Sócrates, com o do actual Primeiro-Ministro, José Sócrates, quando são já decorridos dois anos e sete meses do seu governo.

E, hoje, perante o resultado da sua governação e o trajecto do seu Governo, afigura-se pertinente questionar o Primeiro-Ministro, José Sócrates, sobre a real interpretação a dar à sua prosa de então, sabendo-se de antemão, pela voz de Durão Barroso, que Portugal estava de tanga...

- Demagogia?...

- Verborreia discursiva?...

- Irresponsabilidade política?...

- Oportunismo?...

- Caça ao voto?...

- Desatento, desenquadrado e distanciado da realidade portuguesa?...

- Ou a crise, o tempo das vacas magras (que já devem estar tuberculosas), só surgiu, de sopetão, sem avisar, no seu “brilhante e competente” (des) Governo?...


Perante o conteúdo do “brilhantismo” referido seu artigo (de Opinião), não resisti em reproduzir algumas passagens do lúcido, brilhante e inteligente “Prefácio” a um dos meus livros, da autoria do Jornalista e Poeta NUNO REBOCHO, da RDP - Radiodifusão Portuguesa, aproveitando, para deixar, aqui, expressa a minha mais sentida e fraterna Homenagem, de muito apreço e gratidão, pelos ensinamentos que me transmitiu ao longo de mais de trés décadas.

E, Nuno Rebocho, meu ilustre Companheiro, de Lutas e de Letras, iniciava assim o seu “Prefácio”...

É por demais efémera a prosa jornalística. Vive o momento da sua publicação e esvai-se na memória. Os arquivos servem (depois) para vindoura investigação dos factos que fizeram o tempo. O jornalista sabe a regra e aceita-a. Escrevinhador diário, é um profissional do esquecimento.

Até que a revolta acontece: vai então à gaveta e saca os textos em segunda (re)leitura, apetecível quando o escrito ganhou comprovadamente intemporalidade.

(...) Assim, o que viveu e morreu nas páginas de um jornal ou de uma revista,( ...) que é, a seu modo, um arquivo revisitado.


Efectivamente, foi o que aconteceu. Não numa gaveta, onde estivesse guardado o recorte, muito menos nas páginas do jornal ou da revista...

Os tempos evoluíram, as técnicas também, assim como os tipos de arquivos e seu armazenamento...

No entanto, como referiu Nuno Rebocho, é importante ter presente que, por princípio, “...o jornalista é testemunha do tempo, mesmo se – aqui e ali – se deixa embalar pela dimensão dos “visitados”: é um risco assumido numa profissão de risco. É igualmente um rumo possível e admissível nesta missão de informar, comentar e afirmar.”

Talvez, por estas e outras razões inconfessáveis, José Sócrates, o seu Governo e os deputados do PS - Partido Socialista, na Assembleia da República, acharam por demais pertinente, também, silenciar de vez, os profissionais da Comunicação Social - os JORNALISTAS...

Ao fim e ao cabo, também, como fruto do meu “andarilhismo”, por este Mundo, como Nuno Rebocho me chamou, no referido “Prefácio”, em Maio de 2001, agora, aqui, no outro lado do imenso Oceano Atlântico, na cidade de Fortaleza, capital do Estado do Ceará, no Brasil, um país tropical, situado abaixo da linha do Equador, fui encontrar o referido artigo, titulado: “Más notícias do Orçamento”, do então deputado JOSÉ SÓCRATES, em http://o-andarilho.blogspot.com, o qual, dada a sua oportunidade, com a devida vénia, passo a reproduzir na íntegra.

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ARTIGO DE JOSÉ SOCRATES, EM 2002
Publicada por Lobo da Gardunha em 15.Setembro.2007, às 7:53 AM
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“Quando visitamos o sótão e remexemos a arca, encontramos sempre algo com alguma importância – histórica, politica, recordações, etc.

Encontrámos um recorte do Jornal do Fundão (1 de Novembro de 2002 - Dia de Todos os Santos), com o artigo, que é oportuno transcrever / lembrar, do deputado JOSÉ SÓCRATES, eleito pelo PS, no círculo de Castelo Branco, com o título:


Más notícias do Orçamento


O Orçamento de Estado para 2003 traz-nos uma mão cheia de más notícias: sobem os impostos, diminui o investimento público, aumenta o desemprego.

Os impostos sobem, desde logo, para as famílias: o IRS vai ficar mais caro em virtude da actualização dos escalões ser apenas de 2%, inferior à inflação esperada. Mas sobem também para as empresas, já que sobe o instrumento fiscal de pagamento especial por conta, cujo limite superior passa de 300 para 50.000 contos.

Mas se é verdade que os impostos sobem para as famílias e para as empresas, a verdade é também, que descem para os grupos económicos e financeiros, cujos SGPS – sociedades gestoras de participação sociais – passam a estar isentas, de novo, de imposto sobre lucros.

Esta é sem dúvida, a primeira marca que fica deste orçamento: uma profunda imoralidade fiscal. Para que 1500 contribuintes não paguem, há 5.000.000 que vão pagar mais.

Outra má notícia é que este orçamento corta no investimento público.

Pela primeira vez nos últimos sete anos diminui o investimento na Educação, na Ciência e na Cultura que têm cortes significativos. Sabendo como o investimento nestes sectores é essencial ao desenvolvimento, como justificar estes cortes?

Mas o mais chocante é que acabou a solidariedade com o interior. O investimento do nosso distrito passa de 148 milhões de euros para 107 milhões de euros: um decréscimo de 28%. Escandaloso. Finalmente o desemprego. Este orçamento prevê uma subida do desemprego para 5,4%. É a confissão de que o emprego deixou de contar. De ser uma prioridade da politica económica.

Aumento de impostos, desinvestimento, desemprego: alguém acredita que este orçamento vai promover a confiança e recupera a economia?

José Sócrates
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NOTA - O sublinhado é da nossa responsabilidade.

Qualquer semelhança, com o escrito em 2002 e a actual situação do País é pura coincidência. De facto, há políticos que têm uma forma peculiar de estar na oposição e ignoram / desconhecem as palavras coerência e responsabilidade.

Quando estão de “um lado”, parece que vale TUDO. Depois, como diz Henrique Neto, membro do PS, “quando se conjuga a ignorância com o poder”, é o que se vê!!!

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Conclusão

Perante tudo o que ficou escrito, resta-nos a confirmação de que JOSÉ SÓCRATES só revela aptidão para AS MÁS NOTÍCIAS!...

E fá-lo da forma mais desenvolta, inimaginável, inteligente e escorreita.

A três tempos e a três velocidades...

Ora na qualidade de Presidente da UE - União Europeia, ora na de Primeiro-Ministro de Portugal ou, finalmente, na de Secretário-Geral do PS - Partido Socialista. É obra!...

Assim como, pensa uma coisa, diz outra e consegue fazer de um modo ainda diferente do anteriormente pensado e dito...

Até nem lhe falta o engenho e a arte!...

Mais comentários?...


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Paulo M. A. Martins
Jornalista Luso-Brasileiro
Fortaleza (CE)
Brasil

Um comentário:

Jorge da Paz Rodrigues disse...

Caro Paulo Martins:

Esta faceta de Sócrates tem outra versão, mas para tanto tenho de regressar um pouco ao passado.

Quando era miúdo, vivi muito tempo na zona centro do país e os meus familiares sempre que íam a uma feira levavam-me e lembro-me muito bem, apesar de já lá irem uns 50 anos, que nessas feiras das vilas apareciam sempre uns sujeitos a falar aos aldeões de megafone em punho, a vender mil e uma coisas.

Ficaram conhecidos pelos "vendedores de banha da cobra", pois a maior parte do que vendiam eram "pomadas" de milagrosos efeitos! E sempre que uma ou outra pessoa duvidava, quase aparecia "espontaneamente" alguém a assegurar que tinha comprado há uns meses tal produto e, "milagre dos milagres", tinha ficado sem dores nas costas ou sem calos, já ouvia bem, não só voltara a andar como até já corria, etc, etc....

Resultado: grande parte dos aldeões corriam a comprar e lá íam satisfeitos para as suas casas...

Ora, esses vendedores de "banha da cobra" desapareceram, mas no seu lugar, temos agora Sócrates... que não vende "banha" mas vende ilusões e ainda há muita gente que acredita...

Até o Sr. Presidente da República se encanta com ele, pela possibilidade de ser assinado o novo Tratado da UE e o seu nome e o de Sócrates ficarem no documento, só que se esquece que nos futuros compêndios de história tal não passará, quanto muito, de nota de rodapé...

Abaixo os vendedores de "banha da cobra" e quem os apoia!

Viva Portugal livre!

Um abraço,

Jorge da Paz