sábado, 23 de fevereiro de 2008

PORTUGAL - SEDES ALERTA PARA CRISE SOCIAL DE CONTORNOS IMPREVISÍVEIS...





Assembleia da República
Lisboa - Portugal



1. Sexta-feira, dia 22 de Fevereiro de 2008:



O jornal diário “PÚBLICO”, de Lisboa, fez publicar, com manchete na primeira página, uma peça sob o título:

O Estado e os políticos são os principais visados
SEDES alerta para crise social de contornos difíceis de prever
”,

onde, dada a conjuntura política, económica e social que se vive em Portugal, dava conta de uma “Tomada de Posição” da SEDES – Associação Para o Desenvolvimento Económico e Social.

Já começava a ser notória a ausência de uma “Tomada de Posição” oportuna, lúcida, séria e idónea quanto à evolução política portuguesa, e a SEDES, como associação cívica por excelência, acaba de tomar essa iniciativa, o que só vem corroborar o seu prestígio na análise e intervenção na vida nacional.

De facto, só quem não conhece a filosofia e o historial da SEDES não pode estar à altura de poder interpretar o que, verdadeiramente, se está a passar em Portugal. Também eu, tive o grato privilégio de passar pelas suas fileiras, onde, em dois mandatos consecutivos, fui secretário-geral, na década de 80.

2. Prestes a atingir quatro décadas, sobre a sua fundação em 1969, a SEDES – Associação Para o Desenvolvimento Económico e Social foi fundada em 1969, no decorrer do período da “Primavera Marcelista”, que se prolongou até 25 de Abril de 1974, sempre se tem assumido como uma das instituições mais credíveis, isentas e independentes de Portugal.

Alguns dos seus membros, imediatamente, após a queda do Professor Marcelo Caetano e do seu governo, depois que foram restauradas a Democracia e as Liberdades Públicas em Portugal, desde os Governos Provisórios aos Governos Constitucionais, foram chamados a exercer funções governativas, e, hoje, muitos deles estão integrados em todos os quadrantes políticos, nomeadamente nos Partidos Políticos com assento na Assembleia da República.

3. É bom, necessário e imperativo que se entenda que a Democracia autêntica não se limita e esgota nos partidos politicos, antes exige e promove a participação de associações civicas e responsáveis em prol do desenvolvimento de um país justo, equitativo e participativo nos problemas comuns de todos os porugueses.

Esta vivência, livre e democrática, exige vontade e humildade de todos, particularmente dos partidos políticos no sentido de entenderem e responderem o mais possível às expectativas do Povo e, quando não é possível, esclarecer e explicar as razões objectivas e transparentes das decisões em contrário.

Acontece que, actualmente, em Portrugal, não é assim que se faz, pratica e exerce a politica. Decide-se, só depois e nem sempre, se explica o mínimo indispensável...

4. Nunca, em tempo algum, a SEDES se preocupou com quem governa, mas, isso sim, como Portugal está a ser governado e conduzido em cada momento da sua vida nacional.

Razão porque, após a sua fundação e em actividade plena e ininterrupta, desde 1969, imediatamente, após o 25 de Abril de 1974 até aos dias de hoje, sempre se verificou uma recusa sistemática de evoluir para partido político. Ao longo de quase quatro décadas, isso sim, como parte integrante de um Estado de Direito Democrático, sempre se assumiu como ASSOCIAÇÃO CÍVICA.

Assim como, nunca os seus membros se assumiram como um “iluminado grupo de tecnocratas”... Tanto mais, porque, também, muitos dos seus membros sempre militaram e continuam a militar no seio dos principais partidos políticos portugueses.

5. Ao longo desta sexta-feira, muitas foram as reacções ao teor da “TOMADA DE POSIÇÃO”, que, mais abaixo, com a devida vénia, se reproduzir na íntegra.

E, neste contexto, enquanto a UGT e CGTP-IN corroboraram com o seu teor, já os representantes dos partidos políticos, cinica e hipocritamente, fizeram questão de dizer que, também eles, concordavam com o alerta social feito pela SEDES...

Também, o Presidente da República, Professor Aníbal Cavaco Silva, sem conhecer o teor da “Tomada de Posição” da SEDES, à margem da inauguração do Instituto CUF, do grupo José de Mello Saúde, em Matosinhos, limitou-se a dizer que, "Não nos podemos resignar perante as dificuldades. É preciso mobilizar os portugueses para as vencer".

6. Para quem acompanhou, como eu, aqui, no Brasil, ininterruptamente, a evolução ao longo do dia, inclusive, através da leitura das centenas de comentários, registados no jornal “PÚBLICO”, bem como dos desenvolvimentos na Rádio, não teve a mínima dificuldade em entender que a situação política, económica e social em Portugal é deveras preocupante, para não dizer grave... Mais parecia que já estávamos em período pré-revolucionário, como, passe o exagero, o que se viveu com o “PORTUGAL E O FUTURO”, do então General António de Spínola...

Conclusão. Para não falar em outras situações anteriores e não pretendendo fazer falsos alarmes, importa ter presente e sublinhar a recente intervenção do General Garcia Leandro, e, hoje, a da SEDES – Associação Para o Desenvolvimento Económico e Social, para se poder concluir que os PORTUGUESES estão perante sérios, lúcidos e oportunos avisos que são dirijidos ao ESTADO, PARTIDOS POLÍTICOS E AOS POLÍTICOS!...

Fortaleza (CE), Brasil, 22.Fevereiro.2008

Paulo M. A. Martins
(Ex-Secretário-Geral da SEDES)

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SEDES - Associação Para o Desenvolvimento Económico e Social


* * * TOMADA DE POSIÇÃO * * *




1. UM DIFUSO MAL-ESTAR

Sente-se hoje na sociedade portuguesa um mal-estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional.

Nem todas as causas desse sentimento são exclusivamente portuguesas, na medida em que reflectem tendências culturais do espaço civilizacional em que nos inserimos. Mas uma boa parte são questões internas à nossa sociedade e às nossas circunstâncias. Não podemos, por isso, ceder à resignação sem recusarmos a liberdade com que assumimos a responsabilidade pelo nosso destino.

Assumindo o dever cívico decorrente de uma ética da responsabilidade, a SEDES entende ser oportuno chamar a atenção para os sinais de degradação da qualidade da vida cívica que, não constituindo um fenómeno inteiramente novo, estão por detrás do referido mal-estar.

2. DEGRADAÇÃO DA CONFIANÇA NO SISTEMA POLÍTICO

Ao nível político, tem-se acentuado a degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários, praticamente generalizada a todo o espectro político.

É uma situação preocupante para quem acredita que a democracia representativa é o regime que melhor assegura o bem comum de sociedades desenvolvidas. O seu eventual fracasso, com o estreitamento do papel da mediação partidária, criará um vácuo propício ao acirrar das emoções mais primárias em detrimento da razão e à consequente emergência de derivas populistas, caciquistas, personalistas, etc.

Importa, por isso, perseverar na defesa da democracia representativa e das suas instituições. E desde logo, dos partidos políticos, pilares do eficaz funcionamento de uma democracia representativa. Mas há três condições para que estes possam cumprir adequadamente o seu papel.

Têm, por um lado, de ser capazes de mobilizar os talentos da sociedade para uma elite de serviço; por outro lado, a sua presença não pode ser dominadora a ponto de asfixiar a sociedade e o Estado, coarctando a necessária e vivificante diversidade e o dinamismo criativo; finalmente, não devem ser um objectivo em si mesmos...

É por isso preocupante ver o afunilamento da qualidade dos partidos, seja pela dificuldade em atrair e reter os cidadãos mais qualificados, seja por critérios de selecção, cada vez mais favoráveis à gestão de interesses do que à promoção da qualidade cívica. E é também preocupante assistir à tentacular expansão da influência partidária – quer na ocupação do Estado, quer na articulação com interesses da economia privada – muito para além do que deve ser o seu espaço natural.

Estas tendências são factores de empobrecimento do regime político e da qualidade da vida cívica. O que, em última instância, não deixará de se reflectir na qualidade de vida dos portugueses.

3. VALORES, JUSTIÇA E COMUNICAÇÃO SOCIAL

Outro factor de degradação da qualidade da vida política é o resultado da combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma justiça ineficaz. E a sensação de que a justiça também funciona por vezes subordinada a agendas políticas.

Com ou sem intencionalidade, essa combinação alimenta um estado de suspeição generalizada sobre a classe política, sem contudo conduzir a quaisquer condenações relevantes. É o pior dos mundos: sendo fácil e impune lançar suspeitas infundadas, muitas pessoas sérias e competentes afastam-se da política, empobrecendo-a; a banalização da suspeita e a incapacidade de condenar os culpados (e ilibar inocentes) favorece os mal-intencionados, diluídos na confusão. Resulta a desacreditação do sistema político e a adversa e perversa selecção dos seus agentes.

Nalguma comunicação social prolifera um jornalismo de insinuação, onde prima o sensacionalismo. Misturando-se verdades e suspeitas, coisas importantes e minudências, destroem-se impunemente reputações laboriosamente construídas, ao mesmo tempo que, banalizando o mal, se favorecem as pessoas sem escrúpulos.

Por seu lado, o Estado tem uma presença asfixiante sobre toda a sociedade, a ponto de não ser exagero considerar que é cada vez mais estreito o espaço deixado verdadeiramente livre para a iniciativa privada. Além disso, demite-se muitas vezes do seu dever de isenta regulação, para desenvolver duvidosas articulações com interesses privados, que deixam em muitos um perigoso rasto de desconfiança.

Num ambiente de relativismo moral, é frequentemente promovida a confusão entre o que a lei não proíbe explicitamente e o que é eticamente aceitável, tentando tornar a lei no único regulador aceitável dos comportamentos sociais. Esquece-se, deliberadamente, que uma tal acepção enredaria a sociedade numa burocratizante teia legislativa e num palco de permanente litigância judicial, que acabaria por coarctar seriamente a sua funcionalidade. Não será, pois, por acaso que é precisamente na penumbra do que a lei não prevê explicitamente que proliferam comportamentos contrários ao interesse da sociedade e ao bem comum. E que é justamente nessa penumbra sem valores que medra a corrupção, um cancro que corrói a sociedade e que a justiça não alcança.

4. CRIMINALIDADE, INSEGURANÇA E EXAGEROS

A criminalidade violenta progride e cresce o sentimento de insegurança entre os cidadãos. Se é certo que Portugal ainda é um país relativamente seguro, apesar da facilidade de circulação no espaço europeu facilitar a importação da criminalidade organizada. Mas a crescente ousadia dos criminosos transmite o sentimento de que a impune experimentação vai consolidando saber e experiência na escala da violência.

Ora, para além de alguns fogachos mediáticos, não se vê uma acção consistente, da prevenção, da investigação e da justiça, para transmitir a desejada tranquilidade.

Mas enquanto subsiste uma cultura predominantemente laxista no cumprimento da lei, em áreas menos relevantes para as necessidades do bom funcionamento da sociedade emerge, por vezes, uma espécie de fundamentalismo utra-zeloso, sem sentido de proporcionalidade ou bom-senso.

Para se ter uma noção objectiva da desproporção entre os riscos que a sociedade enfrenta e o empenho do Estado para os enfrentar, calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com bolas de Berlim, colheres de pau, ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodoviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou.

E nesta matéria a responsabilidade pelo desproporcionado zelo utilizado recai, antes de mais, nos legisladores portugueses que transcrevem para o direito português, mecânica e por vezes levianamente, as directivas de Bruxelas.

5. APELO DA SEDES

O mal-estar e a degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento. E se essa espiral descendente continuar, emergirá, mais cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever.

A sociedade civil pode e deve participar no desbloqueamento da eficácia do regime – para o que será necessário que este se lhe abra mais do que tem feito até aqui –, mas ele só pode partir dos seus dois pólos de poder: os partidos, com a sua emanação fundamental que é o Parlamento, e o Presidente da República.

As últimas eleições para a Câmara de Lisboa mostraram a existência de uma significativa dissociação entre os eleitores e os partidos. E uma sondagem recente deu conta de que os políticos – grupo a que se associa quase por metonímia “os partidos” – são a classe em que os portugueses menos confiam.

Este estado de coisas deve preocupar todos aqueles que se empenham verdadeiramente na coisa pública e que não podem continuar indiferentes perante a crescente dissociação entre o conceito de “res pública” e o de intervenção política!

A regeneração é necessária e tem de começar nos próprios partidos políticos, fulcro de um regime democrático representativo. Abrir-se à sociedade, promover princípios éticos de decência na vida política e na sociedade em geral, desenvolver processos de selecção que permitam atrair competências e afastar oportunismos, são parte essencial da necessária regeneração.

Os partidos estão na base da formação das políticas públicas que determinam a organização da sociedade portuguesa. Na Assembleia ou no Governo exercem um mandato ratificado pelos cidadãos, e têm a obrigação de prestar contas de forma permanente sobre o modo como o exercem.

Em geral o Estado, a esfera formal onde se forma a decisão e se gerem os negócios do país, tem de abrir urgentemente canais para escutar a sociedade civil e os cidadãos em geral. Deve fazê-lo de forma clara, transparente e, sobretudo, escrutinável. Os portugueses têm de poder entender as razões que presidem à formação das políticas públicas que lhes dizem respeito.

A SEDES está naturalmente disponível para alimentar esses canais e frequentar as esferas de reflexão e diálogo que forem efectiva e produtivamente activadas.




Sedes, 21 de Fevereiro de 2008

O Conselho Coordenador

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Paulo M. A. Martins
Jornalista Luso-Brasileiro
Fortaleza (CE)
BRASIL

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O EMPOBRECIMENTO DA NAÇÃO... EM DEBATE

De autor não identificado, mas bem intencionado..., porque me foi reencaminhado por E-mail, tomo a liberdade de reproduzir, na íntegra, o texto que, abaixo, deixo à vossa consideração.

O seu conteúdo sugere-nos uma reflexão atenta, cuidada e séria, e, querendo comentar, o debate está aberto.


Seja Bem Vindo ao DEBATE!



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“O EMPOBRECIMENTO DA NAÇÃO...

Em 2003, dizia o Prof. Daniel Bessa, economista e ex-Ministro da Economia. Mais importante e preocupante que o défice orçamental é o déficie comercial. São 9% do PIB. O PIB há época era cerca de 140 Biliões de euros. 12.6 biliões de euros ano , o que significava que Portugal estava a empobrecer por ano aquele valor, e por tal Portugal tinha que inverter a situação e rápidamente tinha que estar a exportar mais de 25 a 30 milhões de euros por dia para diminuir o empobrecimento e equilibrar o défice externo.

NOS FINAIS DE 2007...

PORTUGAL tem um défice comercial de 12 % do PIB que agora são cerca de 160 biliões de euros (não tem porque tenha crescido 20 biliões mas porque a UE mudou as regras de cálculo o que fez aumentar o valor do PIB) o que equivale a 19,2 biliões de euros ano, o que quer dizer que Portugal está a empobrecer muito mais. O aumento do preço do petróleo contribui para aquele valor (6 biliões de euros foi quanto custou a Portugal o petróleo importado em 2007), mas não explica tudo, com o euro forte também não explicará tudo.

ESTAMOS CADA VEZ PIOR.


O PIB AUMENTA 1.8 % E O GOVERNO FAZ UM FOGUETÓRIO QUANDO A INFLAÇÃO FOI DE 2.8 %, O QUE SIGNIFICA QUE NÃO CRESCEMOS NADA, DIMINUIMOS SIM 1 %.

TRISTE SINA A NOSSA!

ENTÃO, O QUE FAZER ?

CAIR NA REAL, também os portugueses não querem. Medina Carreira anda a pregar no deserto há anos, e a única coisa que ganhou foi o título de "Profeta da desgraça". Enquanto dura pode ser que a gente se safe, que a crise nunca é para todos (um pensamento bem comum).

O governo tomar as medidas que tinha que tomar e ainda não tomou, como, por exemplo, reduzir a despesa com a função pública em 3% do PIB, quase 5 biliões de euros , e aplicar este dinheiro na redução do défice orçamental em investimento selectivo que tenha efeitos garantidamente multiplicadores, na promoção das exportações e na vinda de turistas para Portugal, como faz a Espanha!

Não toma, porque não consegue.

AS LEIS criadas pelos governos nos últimos 20 anos são um colete de forças, bem como as corporações e as associações que receberam e recebem dinheiro do Estado são fortíssimas e não deixam, como não deixam os donos do país, económicamente falando, (aprenderam pouco com o 25 de Abril e a tragédia que se seguiu) e não deixa quem trabalha nos ministérios com 200 000 funcionários a mais no mínimo, e que são, naturalmente, (porque têm que comer e dar de comer e fazer a família funcionar) grandes promotores da guerra passiva, e da obstaculização à mudança.

O governo começa a tocar a finados e alternativas também não se vislubram (o senhor de vila nova de gaia já mostrou que gerir o hipermercado não é o mesmo que gerir a mercearia).

Então, não há solução?

Bem... Agora e antes que seja tarde, precisamos de lucidez e que meia duzia de cabeças boas de homens impolutos que certamente os há em Portugal, com o apoio do Senhor Presidente da República, das Forças Armadas, da Igreja e dos chefes dos partidos, inclusivamente o do Partido Socialista e actual Primeiro-Ministro, (uma utopia, esta ideia) que arranjem uma saída que nos leve a sair desta letargia, deste afundamento contínuo, porque assim não vamos lá, nem para lá nem para sítio nenhum ...

Eu, que não me identifico, mas creio ser este o pensar de muitos portugueses, lanço o debate, porque as soluções, sinceramente, sei quais são...”


Autor não identificado,
mas bem intencionado...

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"Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce."

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Compilado por:

Paulo M. A. Martins
Jornalista luso-brasileiro
Fortaleza (CE)
Brasil

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

COMO SE GOVERNA, SIM! QUEM GOVERNA, NÃO!


Quando se toma a iniciativa de fazer a abordagem à forma como um país está a ser governado, importa ter sempre presente as convicções que animam essa atitude de cidadania.

Nem sempre os governantes vêem com bons olhos e com humildade como as críticas lhes são feitas, e antes de fazer a sua leitura, equacionar e sobre elas meditar, logo começam o contra-ataque, como se estivessem eqüidistantes e fossem os senhores absolutos de toda a verdade.

Na realidade, a verdade apresenta-se-nos com tendo duas faces: a que é imediatamente visível e a outra que nem sempre é visível... Ou seja, duas pessoas em fases diferentes tendem a apresentar-nos duas versões, praticamente diferentes, sobre uma mesma questão e, no entanto, pretendem transmitir a mesma verdade.

Vem tudo isto a propósito das atitudes do Primeiro-Ministro José Sócrates manifestadas, já por várias vezes, sobre as críticas, quer acerca das questões governativas quer sobre questões pessoais. Sejam quais forem circunstâncias em que tenham ocorrido, a reacção é sempre, mas sempre, de que se tratam de insultos pessoais, ao seu governo ou ainda de perseguição sistemática...

Pessoalmente, considero que, sejam eles quem forem, os nossos melhores amigos são todos aqueles que, por muito que nos custe, nos dizem a verdade e nos apontam o caminho. Por muito poder que se detenha, ninguém é omnipotente e omnipresente. Tudo na vida tem o seu tempo próprio de concepção, de gestação e de concretização no seu espaço e ambiente específicos.

Mas, o Primeiro-Ministro José Sócrates tem uma concepção de governar diferente – a do SHOW OFF, mas que acaba por cair na mesma armadilha de erros dos seus antecessores que tanto criticou, o que se torna ainda mais grave.

Numa só palavra, revela, antes de tudo o que se lhe conhece, falta de HUMILDADE DEMOCRÁTICA. Para ele, o importante é ESTAR, não se importando minimamente com o SABER ESTAR.

Possuidor de uma máquina infernal de promoção, o SHOW OFF é o catalizador dos cidadãos incautos, que com alguma maestria consegue transformar a mentira em verdade e, consequentemente, a verdade em mentira, assim como inverter os valores morais, espirituais, de liberdade e democráticos que deveriam nortear a nossa sociedade!...

Quase três anos são decorridos sobre a sua governação incompetente, desligada de valores éticos, que deu lugar a um imenso comício permanente onde, através da sua imponente máquina de propaganda e de promoção, pretende transformar Portugal num país de sonhos cor-de-rosa...

Na realidade, como alguns já vão tendo a coragem de dizer, não passa de um Primeiro-Ministro discricionário, persecutório e vingativo, exercendo a sua tirania sobre os mais fracos e indefesos e deixando-se subjugar ao poder económico selvagem, pois sabe muito bem que se não ceder pacificamente às sua exigências poderá cair de supetão, da noite para o dia, como muitas economias já sucumbiram neste mundo de globalização.

E o mais grave, é que não toma consciência de que não foi o poder econômico selvagem e cego que o colocou no pedestal. Foram, isso sim, os cidadãos, que ávidos de Justiça Social e de Prosperidade, o elevaram a Chefe do Governo de Portugal!

José Sócrates é, hoje, o homem mais isolado de Portugal!

À sua volta, em vez de solidariedade, tem homens e mulheres, políticos e empresários, que não querem perder o seu bem estar e, sobretudo, o poder e a influência que detêem.

Na Assembleia da República conta com uma maioria parlamentar que só actua cegamente porque estão agarrados à cadeira, a um chorudo salário e a mordomias tais, que, muitos deles, perante a eventual queda do Governo, não sabem se voltarão a ter mais outra oportunidade...

Entre dois males, o menor. Continuar a aplaudir o “chefão”, porque Portugal e os Portugueses ficam para depois!...

E, com toda a lucidez, concordemos que estamos perante um político que, por impreparado, e, perante um seríssimo revez do Partido Socialista e de alguns dos seus dirigentes máximos, ascendeu meteoricamente à chefia do Governo da Nação Portuguesa, onde não faltou a mão providencial e oportuna do então Presidente da República, Jorge Sampaio, ao provocar a demissão do então Primeiro-Ministro, Pedro Santana Lopes, e a convocar eleições antecipadas.

Hoje, os resultados estão bem à vista! Só os não vê quem não quer ou não lhe interessa ver...

Um Primeiro-Ministro com um Programa de Governo e uma governação desastrosa e sem enquadramento lógico e social, que mais parece uma manta de farrapos, porque para assumir essas funções não estava preparado e faltava-lhe e falta-lhe o bom senso, o saber fazer e a experiência que deve caracterizar os Homens de Estado.

Para a posteridade, num passará de um mero homem do aparelho partidário e pouco mais, e, mesmo para tal, são necessárias qualidades que José Sócrates, apesar da sua muito bem organizada agenda mediática e estratégica máquina de propaganda e promoção pessoal não lhe conferem a competência política para liderar o Governo de Portugal, um país com uma História quase milenar.

Tal como Jorge Sampaio, na Presidência da República, está a afirmar-se como o pior Primeiro-Ministro de Portugal porque a sua liderança é determinada pelos interesses económicos que o pressionam e subjugam.

Tal como iniciei, não estou preocupado com quem governa, mas que, na realidade, em Portugal, depois do “25 de Abril de 1974”, nunca se governou tão mal, à revelia do Povo Português e a favor dos interesses económicos, é uma verdade incontestável!

COMO SE GOVERNA, SIM!
QUEM GOVERNA, NÃO!


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Paulo M. A. Martins
Jornalista Luso-Brasileiro
Fortaleza (CE)
Brasil

sábado, 2 de fevereiro de 2008

COM A AJUDA DE SANTO ANTÓNIO, SALVAR PORTUGAL, É PRECISO!



Neste sábado, 2 de Fevereiro de 2008, apesar de estarmos a atravessar a quadra do Carnaval, importaria, para bem de todos e de Portugal, que nos debruçássemos um pouco sobre “assuntos mais sérios”...

Ou será, que, por este andar, nos estamos transformar num imenso “RIDÍCULOS”, destuídos da mínima CREDIBILIDADE?...

Não sei de quem é a autoria, que, apesar de tudo, aplaudo pela coragem analítica, mas os versos que, abaixo, passo a transcrever, dão bem uma nota deplorável, degradada e pejorativa do ESTADO POLÍTICO A QUE CHEGOU A NAÇÃO PORTUGUESA...

Não é por falta de sentido de humor, podem crer!

Mas, isso sim, o constatar que os POLÍTICOS e GOVERNANTES de PORTUGAL perderam o BOM SENSO, a SERIEDADE e a COMPOSTURA DEMOCRÁTICAS, para se transformarem em meros ESPERTOS que só pensam e agem com a barriga...

A INTELIGÊNCIA que era verde, cor da esperança, passou um burro e comeu-a...

O que, convenhamos, É MUITO GRAVE!

Infelizmente, usando uma imagem bíblica, até parece que estamos a viver na LOUCURA da TORRE DE BABEL, preparando-nos para a assistir aos ÚLTIMOS DIAS DE POMPEIA...

Será que Portugal não conhece outro rumo...?

Pelos vistos, já nem Santo António nos pode acudir e valer...

Vejamos e meditemos, seriamente...


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APELO AO SANTO ANTÓNIO


Ó meu rico Santo António
Meu santinho Milagreiro
Vê se levas o Zé Sócrates
P'ra junto do Sá Carneiro

Se puderes faz um esforço
Porque o caminho é penoso
Aproveita a viagem
E leva o Durão Barroso

Para que tudo corra bem
E porque a viagem entristece
Faz uma limpeza geral
E leva também o PS

Para que não fiquem a rir-se
Os senhores do PSD
Mete-os no mesmo carro
Juntamente com os do PCP

Porque a viagem é cara
E é preciso cultivar as hortas
Para rentabilizar o percurso
Não deixes cá o Paulo Portas

Para ficar tudo limpo
E purificar bem a coisa
Arranja um cantinho
E leva o Jerónimo de Sousa

Como estamos em democracia
Embora não pareça às vezes
Aproveita o transporte
E leva também o Menezes

Se puderes faz esse jeito
Em Maio, mês da maçã
A temperatura está boa
Não te esqueças do Louçã

Todos eles são matreiros
E vivem à base de golpes
Faz lá mais um favorzinho
E leva o Santana Lopes

Isto chegou a tal ponto
E vão as coisas tão mal
Que só varrendo esta gente
Se salvará Portugal!


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Paulo M. A. Martins
Jornalista Luso-Brasileiro
Fortaleza (CE)

Brasil